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Home office: vantagens e desafios de uma tendência que cresce no mercado

Carlos Miyahira, sócio da consultoria Grounds Carlos Miyahira, sócio da consultoria Grounds

Um programa de teletrabalho só funciona quando há comprometimento das empresas e dos colaboradores

Carlos Miyahira (*)

Propulsionado por fatores como a transformação digital e o fortalecimento de uma economia em rede baseada no uso da tecnologia para enxugar custos, integrar colaboradores e otimizar processos, o home office é um movimento que vem crescendo em diversos segmentos do cenário econômico nacional, incluindo as empresas de serviços.

Pensando nisso, a ideia deste artigo é justamente abordar como o home office (também conhecido como teletrabalho) tem se consolidado enquanto uma realidade no ambiente de negócios brasileiro, analisando os benefícios e também os obstáculos a serem superados por este modelo de organização trabalhista. 

Home office no Brasil

De acordo com dados do IBGE divulgados pela Agência Brasil no primeiro semestre deste ano, o país conta hoje com 15 milhões de trabalhadores que atuam a distância, e o desejo de ter mais flexibilidade quanto ao local onde desempenham suas funções é compartilhado por mais de 80% dos brasileiros, segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O anseio pela flexibilização, vale salientar, não parte somente dos trabalhadores. Cerca de 68% das empresas nacionais, aliás, já praticam alguma forma de teletrabalho, conforme aponta estudo da SAP Consultoria RH. Aliás, até mesmo órgãos federais (como a Receita Federal do Brasil) e jurisdicionais (como o Tribunal de Justiça de São Paulo) adotam esta modalidade de trabalho.

O exercício de cargos a distância, inclusive, é regulamentado pela Lei 12.551/11. Ademais, conforme descrito no projeto de Reforma Trabalhista (Lei no. 13.467/17), fica acordado que, contanto que haja especificação no contrato de trabalho, o colaborador poderá prestar serviços a distância normalmente.  

As vantagens dessa tendência

Os benefícios do home office podem ser absorvidos tanto pelos colaboradores de uma empresa quanto pela organização como um todo.

No plano organizacional, a primeira vantagem é econômica e envolve a redução de custos fixos e variáveis (transporte, aluguel e manutenção de espaços, água, luz, equipamentos, etc.). Além disso, especialistas do mercado apontam para a redução do absenteísmo, aumento da motivação de funcionários e ganhos em produtividade.

É importante comentar também um ponto pouco abordado quando falamos de teletrabalho. Com o aumento da preocupação com sustentabilidade e questões relacionadas à mobilidade urbana, companhias que adotam o regime de home office contribuem, direta ou indiretamente, com o uso mais consciente de veículos e transportes poluentes.

Por fim, os funcionários que contam com a possibilidade de atuar a distância têm maior flexibilidade para conduzir seus projetos e demandas, podendo utilizar o tempo gasto com transporte e mobilidade para se dedicar a outras atividades, fator que lhe permite ter maior qualidade de vida.

Os desafios do home office (e como superá-los)

Como todo modelo de trabalho, o home office apresenta alguns desafios. Um dos mais apontados pelas organizações consiste na mensuração da qualidade do trabalho. Em outras palavras, surge a questão: como é possível gerir atividades realizadas a distância?

Tal apontamento, entretanto, denota certo conservadorismo por parte da direção de companhias que resistem ao home office, uma vez que, com o avanço das ferramentas para acompanhamento do trabalho e o uso de métricas consistentes, já é perfeitamente viável avaliar a produtividade e qualidade do trabalho de um funcionário sem que ele esteja presente em um ambiente corporativo fixo. 

Em relação aos colaboradores, um dos desafios é manter a disciplina e uma rotina que lhe permita atuar com eficiência, sem prejuízos em seu dia a dia, ou seja, é preciso separar o trabalho da vida pessoal. Neste ponto, novamente a tecnologia é uma aliada, pois o trabalhador que atua em home office dispõe hoje de muitas soluções que o auxiliam a manter sua organização e foco nas atividades profissionais.

É fundamental observar ainda que um programa de teletrabalho só funciona quando há comprometimento de ambas as partes envolvidas. A empresa deve adotar uma política de home office clara, treinando os colaboradores e informando-os quanto às métricas que serão utilizadas para avaliação do trabalho.

Por sua vez, os colaboradores precisam se conscientizar da importância da autodisciplina, de que é necessário separar um espaço adequado para a execução de seus serviços e que coordenar sua rotina é, mais do que nunca, uma responsabilidade primeira a ser observada.

Finalmente, clientes de uma empresa que concentra suas atividades a distância podem aplicar os mesmos parâmetros de avaliação que teriam com uma empresa de local fixo: os resultados estão sendo entregues com qualidade? Os prazos estão sendo cumpridos? O contato com a empresa é facilitado?

Se todos os pontos forem atendidos, a empresa que optar pelo home office não só ganhará mercado, como também contará com custos mais enxutos para manutenção do negócio e que podem, por sua vez, gerar uma precificação mais competitiva dos produtos e serviços da empresa.   

Conclusão

A era da informação e da transformação digital molda também novas formas de organizar as relações de trabalho, sem que haja perda da eficiência ou qualidade na prestação de serviços. Pelo contrário, o que se percebe é que o home office traz consigo uma série de vantagens e que seus desafios são superáveis mediante o comprometimento e uma política de geração de valor nas empresas.

Para muitos profissionais e negócios, o home office é uma forme de substituir o microgerenciamento por resultados efetivos. Entender este movimento é o primeiro passo para extrair o melhor de uma tendência que veio para ficar.

(*) Sócio da Grounds, consultoria especializada nas áreas contábil, tributária, trabalhista, previdenciária e financeira.

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