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Dilma consegue respirar

Dilma entrega casas do Programa Minha Casa, Minha Vida | Foto: Roberto Stuckert Filho/PR, Agência Brasil Dilma entrega casas do Programa Minha Casa, Minha Vida | Foto: Roberto Stuckert Filho/PR, Agência Brasil

O governo conseguiu iniciar na ofensiva a semana em curso, e deixar momentaneamente o corner em que estava encurralado desde a prisão do ex-ministro José Dirceu, na segunda-feira da semana passada.

Além da prisão de Dirceu, houve a péssima repercussão do programa eleitoral do PT na televisão, sufocado por um grande panelaço nos grandes centros urbanos. Mas o quadro mudou desde o final de semana.

No cenário atual, é pouco provável o afastamento da presidente Dilma Rousseff. Ela obteve o apoio de boa parte do Senado e do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), de importantes entidades empresariais e das Organizações Globo, que em editoriais condenaram qualquer movimento pelo impeachment. Como parte da reação, Dilma almoça nesta quarta-feira (12) com o vice, Michel Temer, e com Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, para tratar de reforma ministerial. A presidente ainda não desistiu da ideia de instalar o seu mentor na Esplanada dos Ministérios, mesmo que o eixo de poder se desloque para Lula, que será uma presença no governo maior do que Dilma.

Lula está em Brasília desde a terça-feira (11). Veio participar da Marcha das Margaridas, um ato de apoio ao governo do qual participam mulheres trabalhadoras rurais, organizado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura e bancado com dinheiro do contribuinte. A Marcha conseguiu apenas irritar os brasilienses, com o imenso engarrafamento que provocou na Esplanada dos Ministérios do fim da manhã ao começo da tarde, ao encontrar-se com um outro ato público, dos policiais rodoviários, que querem aumento de salários e um plano de carreiras.

A agenda de reformas com 27 medidas para organizar as contas públicas e reduzir custos de investimentos, apresentada por Renan Calheiros e pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy, pouco resultado prático apresentará. Algumas propostas poderão ser aprovadas, porque são óbvias, como a idade mínima para a aposentadoria, o aperfeiçoamento do marco regulatório para concessões públicas. Outras, cairão no vazio, por uma razão simples: falta combinar com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que sentiu o golpe – governo e Senado tentam isolá-lo politicamente. O problema é que ele ainda controla boa parte da Câmara e continua assustado com a ação do juiz Sérgio Moro.

“O sistema é bicameral, não adianta negociar apenas com o Senado”, advertiu Cunha. O líder do PMDB, Leonardo Picciani (RJ), é seu afilhado político, e mandou também seu recado: “Os três ministros do PMDB que são deputados não representam a vontade do partido na Casa”. O governo conseguiu respirar um pouco, inclusive porque não houve ainda, nesta semana, novas revelações sobre a Operação Lava-Jato. Mas tudo pode mudar a qualquer momento. A paralisia prossegue e o ato público de domingo contra o governo, em todo o país, será um bom termômetro. O ato não será de militantes partidários, mas de cidadãos comuns, inconformados com a corrupção generalizada, com a volta da inflação, a recessão, o desemprego e a sensação de desgoverno.

O cenário econômico é um complicador intransponível. Os analistas do mercado consultados pelo Boletim Focus preveem oito trimestres de recessão – o pior resultado desde o governo Collor. Com essa urgência, fica ainda mais afastada a possibilidade de um debate sério e profundo sobre a reforma política, a mãe de todas as reformas. O presidencialismo brasileiro não é funcional, é imperfeito e será sempre o cenário perfeito para crises paralisantes como a atual, todas as vezes em que um presidente da República, dotado de poderes quase imperiais, não estiver à altura do cargo, como acontece agora. Mas isso é um assunto para outra coluna.

 

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