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Não há lideranças visíveis e nem confiáveis

Michel Temer, vice-presidente da República Michel Temer, vice-presidente da República

Parece claro agora que o movimento de apoio à presidente Dilma Rousseff por parte do grande empresariado e das Organizações Globo foi motivado pela declaração do vice-presidente Michel Temer, na semana passada, de que "alguém precisa unir o país".

Pareceu que Temer se apresentava como esse unificador, um sinal cifrado de que era inevitável o afastamento da presidente. A reação foi imediata, porque as alternativas que se colocam, em caso de impeachment, não são exatamente tranquilizadoras. 

O presidente do Senado, Renan Calheiros, soube tomar posição e se "qualificar" como um fiador da governabilidade, ao apresentar um embrulho com antigas propostas que já tramitam no Congresso, ao lado do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. É provável que quase nada seja aprovado do tal pacote, porque a iniciativa se destina a demonstrar que o governo passou à ofensiva, não está imobilizado, e também a deixar Renan Calheiros "bem na foto", diante da possibilidade de uma denúncia no âmbito da Operação Lava Jato. Neste tabuleiro de xadrez, o Senado prepara-se para votar a recondução do procurador geral da República, Rodrigo Janot, a quem caberia uma eventual denúncia. Se houve algum acordo tranquilizador para Renan em meio a tudo isso, a possibilidade fica a cargo da imaginação dos observadores. 

Por enquanto, o que garante o mandato da presidente Dilma Rousseff é o fato de que não há uma alternativa confiável e consensual. O país não dispõe de uma liderança alternativa, ou de um possível eixo de poder que aglutine a nação em caso de impedimento presidencial. Seria um mergulho no desconhecido, em um quadro de economia desorganizada e em seu pior momento em muitos anos. Nenhum setor nacional de alguma relevância se arriscaria a ver, por exemplo, o deputado Eduardo Cunha ou o senador Renan Calheiros assumirem, mesmo que provisoriamente, a Presidência da República.  Nunca houve denúncias de corrupção contra o vice-presidente Michel Temer, mas é verdade também que sua biografia política sempre foi conectada a figuras que não inspiram segurança em um momento como o atual. 

O pacote de medidas Renan/Levy tem propostas boas e ruins.  Algumas serão motivo de forte reação, como a de aceleração de licenças ambientais para obras de infraestrutura. Outras provocarão gritaria, como a da idade mínima para aposentadoria, mas certamente seriam aprovadas, desde que respeitados alguns direitos. O problema não é exatamente o mérito ou a necessidade dessas medidas, mas sim a forma, o momento político e os personagens que as apresentam. Cheira a oportunismo, como a ideia de uma reforma política em junho/julho de 2013, quando a população saiu às ruas em protesto contra a desordem institucional, econômica e estrutural do país.  Essa é a questão: além de a presidente Dilma Rousseff, em seu novo mandato, impor ao país, de forma errática, uma agenda que condenou durante toda a campanha, além de uma percepção de corrupção insuportável para os cidadãos, há ainda a sensação de que nada funciona, de que os cidadãos estão desprotegidos. 

O impasse se dá porque não há lideranças ou setores da sociedade que sirvam como canal de expressão para a insatisfação generalizada. Ninguém tem credibilidade ou representatividade.  Por isso, um juiz federal, como Sérgio Moro, é aplaudido nas ruas, onde quer que apareça em suas atividades privadas. Enquanto a sensação de impunidade e de absoluto desgoverno paralisa o país, o Legislativo cuida de salvar a pele de seus caciques e o Judiciário pede um aumento de 41% em seus salários.  

Vamos ver o que tem a população a dizer nas ruas no próximo domingo.

 

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