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O Brasil naufraga com Mariana

Henrique Meirelles | Foto: Dida Sampaio/AE Henrique Meirelles | Foto: Dida Sampaio/AE

Henrique Meirelles estaria, segundo interlocutores, impondo uma condição para aceitar a cadeira ocupada hoje por Joaquim Levy: quer "porteira fechada". Ou seja, só aceita assumir o Ministério da Fazenda se nomear todos os cargos de confiança do ministério, além do Ministério do Planejamento e da presidência do Banco Central.  

Meirelles assumiria com poderes semelhantes ao de Delfim Netto no governo do general Emílio Garrastazu Medici, no apogeu da ditadura (1970/74) e Fernando Henrique Cardoso, na reta final do governo tampão de Itamar Franco (1993/94). Sem importar-se com a presença fantasma de Joaquim Levy no cargo, Meirelles circulou por Brasília com desembaraço e muitas conversas.

Joaquim Levy encontra-se na posição de Guido Mantega nas últimas semanas do governo anterior de Dilma Rousseff: uma sombra no exercício do cargo, submetendo-se inclusive a humilhações públicas, como um jantar com senadores da base do governo na residência do senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), na última terça-feira, dia 10. O ministro ouviu críticas de vários dos convidados, e não foi defendido por ninguém, nem mesmo pelo líder do seu partido. "Gostaria de ouvir o que o meu partido tem a dizer", disse Levy a certa altura. Ouviu-se um silêncio constrangedor, motivado pela ironia suprema de apresentar-se como um petista.

O bombardeio sobre Levy continua dentro do PT, capitaneado por Luíz Inácio Lula da Silva, que defende a "retomada do crescimento econômico", à base de crédito facilitado e baixa na taxa de juros. As informações que vêm do Palácio do Planalto são de que Dilma Rousseff vai resistir ao máximo à campanha em favor de Henrique Meirelles, porque não gosta dele, e dificilmente aceitaria ceder a Lula, principalmente com as condições impostas pelo candidato dele.  Ela abriria mão quase totalmente de governar, porque o controle total da área mais nevrálgica do governo seria exclusivamente de Meirelles.  E se ele conseguisse chegar a 2018 com uma economia em recuperação, como impedir-lhe uma candidatura?

Os analistas do PT mais preocupados com a situação avaliam que o quadro atual leva a uma paralisia ainda maior, porque o mercado sabe que nada mais importante vai acontecer com Levy. Politicamente também a situação se complica, porque os parlamentares não veriam sentido em aprovar as propostas de Joaquim Levy, condenado à demissão até janeiro.

A sociedade, aos poucos, vai sendo tomada pela impaciência e até pela revolta.  O gravíssimo vazamento de lama tóxica em Mariana, Minas Gerais, é mais um componente na sensação geral de desgoverno. A presidente demorou a deslocar-se a Marina, e só o fez a bordo de um helicóptero. Como sempre acontece quando se pronuncia à base do improviso, ela foi muito infeliz, ao chamar a empresa Samarco de "São Marcos" e dizer que em países de dimensões continentais, como o Brasil, "acidentes naturais acontecem com frequência".  Disse ainda que a "São Marcos" é sócia da Vale, quando na verdade pertence a ela. Desinformação, desorientação, tudo em largas doses, o que é alarmante para um país em crise como o Brasil.

Por enquanto, o sentimento geral é que tanto Dilma Rousseff quanto Eduardo Cunha vão chegar com seus mandatos a 2016. Mas política, como sabemos, é volátil e volúvel. Tudo pode mudar, ao sabor das investigações da Polícia Federal e dos procuradores da República, além de siglas como Carf e alcunhas, como Lava-Jato.  Sem contar a crise econômica, que vai desembocar em crise social, com o desemprego em massa, as falências em sequência e o aumento do trabalho infantil. 

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