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Desratização completa

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É incrível como gente experiente como Michel Temer e Aécio Neves, no auge da Lava-Jato, se metam neste tipo de confusão. Burrice inusitada e inesperada

Parece uma guerra de bastidores entre o PT e a esquerda em geral contra o “outro lado”.  Os fatos graves são apresentados em sequência, como retaliações cuidadosamente planejadas. Em seguida ao depoimento de Lula a Sérgio Moro, o distinto público toma conhecimento da delação premiada do casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura.

 Em seguida, sobrepondo-se a tudo, a delação de Joesley, o homem da Friboi, o frigorífico que abate também presidentes. Como batalhas diárias, com vencedores eventuais obtendo vitórias fugazes.  É incrível como gente experiente como Michel Temer e Aécio Neves, no auge da Lava-Jato, se metem neste tipo de confusão. Burrice inusitada e inesperada.

 Tudo isso é um desastre para a ainda tímida recuperação da economia, mas é preciso apurar tudo até o fim, haja o que houver. É uma crise histórica, uma situação política pior até mesmo do que a da Argentina no ano 2001, quando presidentes eram nomeados pelo Congresso e caíam dois dias depois.

 Política não é feita apenas com base em fatos concretos, mas também com percepções, sensações, e a percepção hoje é de que o governo Michel Temer não tem condições morais de continuar. Por culpa do próprio presidente. Mas os fatos geralmente se impõem, e é possível que Temer se arraste como um zumbi até o ano que vem, como aconteceu com Ernesto Samper na Colômbia no fim dos anos 90.

 Acusado de receber dinheiro dos narcotraficantes, Samper sobreviveu a um impeachment e à prisão de importantes ministros, inclusive de seu principal auxiliar, filho do pintor Fernando Botero. No caso do Brasil, a desolação e a desmoralização geral da política deve levar à queda de Temer, mergulhando o país no imprevisível.

 Uma possibilidade é a cassação da chapa Dilma-Temer pelo TSE, porque é do conhecimento geral que a decisão final será política. Antes da denúncia do dono da Friboi, a aposta era de que Temer seria absolvido em nome da estabilidade e da recuperação do país.  Agora, é mais provável que seja cassado, em nome dos mesmos objetivos.

 Outra possibilidade real é a aprovação às pressas, pelo Congresso, de uma Proposta de Emenda à Constituição do deputado Miro Teixeira (Rede-RJ) que convoca eleições diretas já.  Sob medida para Lula e o PT.  O Artigo 81, Inciso 1 da Constituição, é claro: eleições indiretas em três meses sob a presidência do presidente da Câmara dos Deputados.

 Fala-se em “blindar a economia”, em evitar que a crise política contamine o trabalho da equipe de Henrique Meirelles e de Ilan Goldfajn.  Mas não há como, o estrago é muito grande.  A bolsa desabou e o dólar disparou como um foguete, e é preciso acompanhar os desdobramentos. Um dos dramas nacionais é que, em caso de queda de Temer, não há um nome consensual, com capital moral e político, para assumir e tocar o barco até o ano que vem. Alguém que unifique o país.

 É um teste duríssimo para a democracia brasileira, sair desta situação, renovar seus quadros e seguir adiante sem qualquer ruptura institucional e com soluções apenas baseadas na Constituição.  A memória e o sobrenome do falecido Tancredo Neves não mereciam o que lhes reservaram seus netos e supostos herdeiros políticos.

 Os novos fatos também desmoralizam o principal argumento do PT e de Lula, de que a Lava-Jato era uma forma de perseguição seletiva, para impedir que ele voltasse ao Palácio do Planalto.

 

 

 

 

 

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