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O que será de nós

Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil

Estarão em jogo nas eleições do próximo ano  o papel, as funções e o tamanho do Estado brasileiro

O clima político entre os frequentadores de redes sociais e grupos de amigos está, como se diz entre as velhas raposas, de vaca não reconhecer bezerro.  A aparência é de uma bipolarização entre conceitos estereotipados de “esquerda” e “direita”, e as versões e acusações são cada vez mais radicais e agressivas. 

O que passa quase despercebido é que há um pano de fundo em toda esta confusão, e é o que estará em jogo nas eleições do próximo ano:  o papel, as funções e o tamanho do Estado brasileiro. Há uma centro-esquerda, se é que podemos chamar assim, que considera o Estado a panaceia para todos os males, a resposta para todos os problemas sociais do país. 

Para eles, não existe crise fiscal, existe apenas pouca vergonha, crueldade social, conservadorismo e corrupção, que suga os recursos públicos. Querem uma auditoria e um calote na dívida pública do país, que não sabem exatamente o que é e nem como se forma. 

Junto com eles estão os privilegiados de todos os setores públicos, do Judiciário, do Legislativo, das estatais e os nacionalistas nostálgicos do getulismo. Mais à esquerda do espectro político estão também os radicais, que gostariam de atirar ao fundo do oceano com um bloco de cimento preso aos pés todos os “direitistas”, como chamam os capitalistas, os liberais, os empresários, os banqueiros. 

São os que ainda sonham com um Brasil socialista, seja lá o que isso signifique hoje, uma Venezuela ou uma Coreia do Norte gigantes - os marxistas ortodoxos que ainda acham possível uma revolução popular. Estão representados partidariamente pelo PSOL, pelo PCdoB e por uma parte considerável do PT. 

É claro, porém, que a revolução, para eles, é ainda um sonho distante. Por enquanto, contentam-se com uma “boquinha”, um bom cargo público. Seu voto é majoritariamente em Lula, para não “dividir” a esquerda, mas articulam outras alternativas. 

Há uma centro-direita que considera necessária uma profunda reforma do Estado, ou o país irá quebrar, como aconteceu com a Grécia, com Portugal há alguns anos, e agora com o Estado do Rio. Tem consciência da crise fiscal brasileira e defende a privatização de estatais, a reforma da Previdência Social e a nova legislação trabalhista.  

À direita deles estão os radicais, que gostariam igualmente de incinerar em fogueiras públicas ou fuzilar os militantes de esquerda, desde os partidos formais até os movimentos sociais, como MST e similares. É a ultradireita, saudosa da ditadura militar, que defende uma imediata intervenção dos quartéis, atirando à cadeia toda a classe política atual, fechando o Congresso e o Judiciário.  No mínimo, querem a eleição de Jair Bolsonaro. 

Mistificação e mentiras

A disputa eleitoral se dará entre a centro-direita e a centro-esquerda, ambas com toda a mistificação e as mentiras típicas da jovem democracia brasileira. A centro-esquerda irá de Lula, caso o velho demagogo escape das garras da justiça.  A centro-direita luta para encontrar o candidato certo, sem denúncias no lombo, com aparência de honesto, e que possa enfrentar Lula nas urnas. 

Todo esse panorama, no entanto, está ofuscado pelas denúncias de corrupção, tema que ocupou de forma avassaladora a agenda política do país. Os debates na Internet estão centrados na ladroagem, e o universo virtual incendiou a política do país e lançou a confusão na cabeça de boa parte dos brasileiros, principalmente os jovens e a classe média. 

Os brasileiros são, em sua esmagadora maioria, desinformados e guiados por palavras de ordem e muito pouco por opções racionais.  Sofremos ainda a influência perniciosa de anos e anos de marketing político, técnica de criar candidatos falsos como notas de três reais, produtos para serem consumidos e não candidatos a serem avaliados com suas convicções.

 

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