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Notícias do Brexit e da Venezuela

Notícias do Brexit e da Venezuela

Projeto de orçamento do Reino Unido mostra que a saída da União Europeia vai custar caro aos britânicos já em 2018, com aumento da dívida pública e crescimento menor

Os cerca de 14 milhões de hispânicos da Califórnia, a maioria mexicanos, desaparecem um dia, o que leva a economia do estado ao chão; os serviços ficam paralisados, as escolas fecham e a região mais rica dos Estados Unidos torna-se um caos.  É esse o roteiro de um filme de Sergio Arau produzido em 2004, e que ganhou vários prêmios, “Um Dia Sem Mexicanos”.  

Talvez fosse o que Donald Trump gostaria que acontecesse de fato e definitivamente nos Estados Unidos. E é o que os ingleses que votaram a favor do Brexit querem agora que ocorra no Reino Unido. 

A palavra de ordem entre a população inglesa conservadora, de classe média e mais pobre, é “let them go!”, deixem que eles partam, "send them away!", mandem eles embora, ou “we don’t need them!”, não precisamos deles.  Referem-se aos europeus do continente, claro, e ao fato de que pensam não precisam deles. Mas referem-se principalmente aos trabalhadores estrangeiros, sobretudo do Leste Europeu, que ocupam dezenas de milhares de empregos em toda a Grã-Bretanha. 

Quem percorre a Inglaterra, hospeda-se em hotéis médios, percorre o comércio e vai a bares e restaurantes, vai perceber que os empregos de garçons, recepcionistas, atendentes e vários outros tipos de serviços são realizados por belas moças e rapazes da Polônia, das repúblicas Tcheca e Eslovaca, da Ucrânia, da Romênia e de outros países da região. A grande maioria tem boa formação ou estuda na Inglaterra, e aproveita o visto provisório para trabalhar. 

São empregos que os ingleses não querem ocupar porque a remuneração é baixa, e quando querem são rejeitados pelos patrões, por absoluta falta de qualificação, por preguiça ou displicência.  Os empresários querem e precisam dos imigrantes ocasionais, porque ganham pouco, aceitam cumprir longas jornadas, são qualificados e gostariam de ficar no país. Há manifestações explícitas de xenofobia e hostilidade contra estrangeiros empregados no país. 

Aparentemente, quem votou a favor do Brexit não se arrepende, e quer pressa na separação definitiva.  Mas o projeto de orçamento do Reino Unido para o próximo ano mostra que a saída da União Europeia vai custar caro aos britânicos já em 2018, com um aumento da dívida pública e um crescimento menor da economia.  O setor do governo encarregado do Orçamento reduziu de 2% para 1,5% as previsões de aumento do PIB para o ano que vem. 

Nos meses imediatamente posteriores à aprovação do Brexit, a economia cresceu, porque a libra se desvalorizou e permitiu um aumento nas exportações. Logo, porém, esse efeito desapareceu e a nova realidade se impôs. Até mesmo a República da Irlanda, que tem o Euro como moeda, sentirá os efeitos, porque sua economia é muito ligada à do Reino Unido.

O Brasil está vivendo, ao contrário, um momento de chegada maciça de imigrantes da Venezuela, gente que foge da baderna repressiva implantada no país por Nicolás Maduro. Os mais humildes e desqualificados ficam mesmo nos estados pobres do Norte, como Rondônia e Roraima. Os mais qualificados, como engenheiros, conseguem emprego em indústrias de São Paulo e outros estados. Já são ao todo mais de 40 mil venezuelanos.

Reforma da Previdência

A versão da reforma da Previdência Social que o presidente Michel Temer tentará aprovar na Câmara dos Deputados antes do recesso parlamentar de dezembro, e em março no Senado, qualificada como “enxuta” e até como inócua, é realmente menos ambiciosa do que o projeto original. Mas já será um alívio quando se pensa nas contas públicas alguns anos à frente. 

A idade mínima de 65 anos para homens e 62 anos para mulheres e o aumento do tempo de contribuição necessário para a aposentadoria teriam efeitos positivos do ponto de vista atuarial. Em 20 ou 30 anos, a redução do déficit seria evidente. É claro que, caso Temer consiga aprovar a nova Proposta de Emenda à Constituição, o legado para o próximo governo será importante, junto com as demais reformas. 

O presidente da República que se elegerá em 2018 vai herdar uma tarefa  econômica menos penosa, mas terá também que trabalhar para aprofundar a reforma previdenciária, aproveitando-se da legitimidade que um mandato novinho em folha irá lhe garantir.  Fernando Henrique Cardoso e Lula conseguiram mudanças importantes, mas não tudo o que pretendiam.

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