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A hora da verdade

A hora da verdade

Para alguns especialistas, maioria dos eleitores brasileiros não vai votar em alguém que apresente uma agenda fiscal e prometa reformas impopulares. Os preferidos seriam os demagogos, que prometerão emprego, dinheiro e crescimento imediato.

Atribui-se a Adlai Stevenson II, duas vezes derrotado por Dwight Eisenhower nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, a frase “não se ganha o voto do eleitor com o cérebro, mas com o coração”. É o dilema que se espera nas próximas eleições presidenciais brasileiras. 

Alguns especialistas garantem que a maioria dos eleitores brasileiros não vai votar em alguém que apresente uma agenda fiscal, que mostre ao país o tamanho da crise do Estado brasileiro e prometa reformas impopulares, mas necessárias.  Os preferidos seriam os demagogos, que prometerão emprego, dinheiro e crescimento imediato. 

É possível que já tenha contado aqui o diálogo do marechal Humberto de Alencar Castello Branco, primeiro presidente do ciclo ditatorial militar brasileiro, com o embaixador Roberto Campos, convidado para o Ministério do Planejamento. Mas vale a pena lembrar.  

Era tão grande a crise fiscal em 1964 que Campos, apelidado de “Bob Fields” pela esquerda, disse que nenhum presidente faria o que precisava ser feito, ou sua popularidade iria ao chão.  Castello respondeu que não devia satisfações a ninguém exceto ao país, e que não estava para brincadeira. 

Roberto Campos perguntou então quem seria o Ministro da Fazenda, e o marechal respondeu que seria o economista Octávio Gouvêa de Bulhões, um outro liberal e fiscalista. Diante da resposta, Bob Fields aceitou o cargo, porque teria um aliado na gestão econômica. 

Seguiu-se então um imenso ajuste fiscal e uma reforma monetária que levaram o país à recessão, mas que permitiram, pouco tempo depois, o chamado “milagre econômico” e o pleno aproveitamento da exuberância econômica dos EUA e do mundo. Estamos hoje em um regime democrático, mas a crise fiscal é ainda maior do que em 1964. 

Resta esperar pela agenda dos debates na campanha presidencial. Terão nossos candidatos a coragem de dizer o que precisa ser feito?  O presidente Michel Temer disse que só impôs a agenda de reformas graças à brutal impopularidade, porque nada mais tinha a perder. 

Defesa das reformas

Vamos acompanhar, por exemplo, o discurso de Geraldo Alckmin, virtual candidato do PSDB, o partido que teria a obrigação de defender as reformas. Os tucanos perderam duas vezes para o PT, em 2002 e em 2006, porque se acovardaram e não defenderam o Plano Real, a privatização e a modernização da economia, sua agenda original. 

Em 2002, José Serra em nenhum momento da campanha foi o candidato das privatizações e da continuidade das reformas.  Aparentemente, nem ele acreditava em nada disso, seu histórico pessoal e político era de um homem de esquerda, e por isso nunca chegou ao cargo com que sonhava, o Ministério da Fazenda do governo FHC. 

A campanha de Serra, por isso, soou falsa, e perdeu para o discurso estatizante de Lula, que pareceu mais verdadeiro ao eleitor. Em 2006, foi parecido. Lula levou a reeleição em segundo turno no empuxo da reação contra as denúncias do Mensalão. Os eleitores votaram com medo da mudança, mas também com o coração, e não com o cérebro. 

O momento vai exigir na próxima eleição uma boa dose de verdade: o próximo presidente terá uma dura tarefa, o de buscar o reequilíbrio das contas, e impor uma reforma da Previdência que realmente encaixe o Estado brasileiro no tamanho que a crise exige.  E mais uma reforma tributária, uma boa dose de eficiência do setor público, desburocratização e um choque de gestão. 

Sim, porque não basta cortar gastos.  Boa parte da receita estatal vai para o lixo, por corrupção, excesso de burocracia, ineficácia, falta de controle e má gestão.  Este é o desafio, olhar nos olhos do eleitor e falar a verdade.

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