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Economia brasileira seguirá retraída em 2015, mas atual correção de rota trará benefícios

Celso Grisi, presidente do Instituto de Pesquisa Fractal Celso Grisi, presidente do Instituto de Pesquisa Fractal

Ajuste das contas públicas em curso é indispensável, avalia Celso Grisi, do Instituto Fractal

O ano de 2015 não será tão tenebroso para o Brasil, como querem as projeções mais pessimistas do mercado, que chegam a antecipar crescimento nulo. Mas ele será pautado por outro desempenho medíocre do PIB (Produto Interno Bruto), situado entre 0,5% e 1% de expansão. O fato alvissareiro é que agora a economia está passando por uma imprescindível correção de rota, após ter sido conduzida de forma imprudente nos últimos anos.

A avaliação é de Celso Grisi, presidente do Instituto de Pesquisa Fractal, em entrevista concedida ao portal da Executivos Financeiros. Para ele, as medidas recém-anunciadas por Joaquim Levi, novo ministro da Fazenda – redução no custeio da máquina governamental e restrições na concessão de benefícios sociais –, estão no caminho certo, apontando para o reequilíbrio das contas públicas. “Desperdiçamos tempo em 2014, quando não se fez o que seria necessário. Trata-se de remover a liquidez excessiva que vem pressionando a inflação”, nota ele.

No ano passado, por sinal, as contas do Governo Federal tiveram seu primeiro resultado negativo desde 1997, com as despesas do Tesouro (R$ 1,031 trilhão) superando as receitas (R$ 1,014 trilhão), o que redundou em um rombo de R$ 17,2 bilhões. A arrecadação foi prejudicada pela contração da atividade econômica e pela redução de impostos em determinados segmentos.

Em contraste, outras medidas implementadas pelas autoridades, no segundo mandato de Dilma Rousseff, elevarão a carga tributária. É o caso, por exemplo, da não correção da tabela do Imposto de Renda e da maior taxação sobre os combustíveis nas refinarias, envolvendo o PIS/Cofins (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social) e a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico).

“Aumentar impostos é uma iniciativa negativa, pois temos uma carga que já é elevada. Para justificar esta medida, o governo tem que fazer sua parte e cortar os gastos públicos, evitando desperdícios”, salienta Grisi.

Em relação à Selic, atualmente em 12,25%, o presidente do Instituto Fractal não acredita que, doravante, haja mais aumentos expressivos. “A taxa", prevê ele, "deve subir mais 0,75 ponto percentual durante todo o ano e bater nos 13%, ajudando no combate à inflação.”

Com este cenário adverso, a expectativa é de incremento da inadimplência, entre pessoas físicas e jurídicas, acompanhado da contenção da oferta de crédito, o que, aliás, já começou a ocorrer após o Natal. “O impacto é duro, mas é o preço a pagar para se reduzir a inflação”, observa Grisi, lembrando que as famílias se encontram endividadas, sofrendo os efeitos da queda dos rendimentos, da diminuição do nível de emprego, do reajuste de tarifas e  combustíveis, para não mencionar a alta nos preços dos alimentos em razão da seca.

Por essas e por outras, a continuidade da retração econômica que se desenha no horizonte, diz o entrevistado, é inevitável, com a perspectiva de melhora apenas no segundo semestre. Mas os ajustes que estão sendo implantados acabarão, ao fim e ao cabo, por “salvar o País”, garante ele.

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