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Acionistas da Petrobrás (leia-se Governo Lula) perderam o juízo São Paulo, 22 de Junho de 2010 Em Assembléia Geral Extraordinária, realizada em sua sede no Centro do Rio de Janeiro, a Petrobrás acaba de aprovar um aumento de capital da ordem de R$ 150 bilhões, o que significa que está dada autorização para a companhia promover um aumento de 150% sobre o seu capital atual. Alguém aí tem alguma noção do que representa esse valor?
E mais: a AGE autorizou um teto para o aumento na emissão de ações preferenciais, representativas do capital da estatal, hoje fixadas em 200 milhões de papéis, para 2,4 bilhões de ações preferenciais. Ou seja: a estatal multiplicará por 12 o número de ações preferenciais em circulação no mercado, o que, obviamente, trará forte impacto nos preços dos papéis da estatal. Além disso, a AGE também permitiu a emissão de um total de até 3,2 bilhões de ações ordinárias. Isso significa que boa parte dessa festa terá que ser patrocinada por todos nós, ou seja, pelo Tesouro Nacional que, em resumo, somos nós, contribuintes e eleitores. Pasmem, senhoras e senhores! Já que ninguém fala nada, vamos tentar engolir essas informações por partes. Esse valor de R$ 150 bilhões é apenas uma parte da peça de ficção elaborada pela estatal do petróleo, cujo Conselho de Administração aprovou um Plano de Negócios megalomaníaco, que extrapola qualquer senso comum, da ordem de modestos US$ 224 bilhões. Tudo isso no apagar das luzes do Governo Lula, que já andou dizendo que será o presidente da Petro-Sal, enquanto sua quarentena presidencial perdurar. Estamos diante de um dos maiores compromissos financeiros, nunca antes vistos na história desse País, a ser herdado pelo erário público. Empurrado goela abaixo da Câmara e do Senado, sem um debate minimamente esclarecedor, pois, em verdade, os técnicos da estatal do petróleo sequer têm condições de estimar o tamanho das jazidas e das reservas de combustível fóssil do pré-sal. Da mesma forma, não sabem como tirar o óleo de profundezas nunca antes extraídas, pois não existe tecnologia capaz de fazê-lo, exceto a um preço que torne inviável a comercialização dos derivados, com alguma margem. Tudo isso, sem falar no custo de plataformas tão distantes das costas brasileiras, como nunca antes navegadas, levam as pessoas com um mínimo de lucidez a não embarcarem numa aventura açodada que só trará benefícios a um grupo de políticos, burocratas, gestores de fundos de pensão e a turba corporativista, ligada à exploração de petróleo no Brasil. Portanto, estamos diante de uma decisão lastreada em alguns bons resultados do Governo Lula, mas aprovada a toque de caixa, e que agora, com a ajuda do Banco do Brasil - coordenador do underwritting monstruoso que irá encharcar o mercado de capitais de papéis da Petrobrás -, vai materializar a mega-captação de recursos. Estamos falando de valores compatíveis com um País e não com uma companhia, mesmo petrolífera, mesmo a Petrobrás. Afinal de contas, a captação prevista ultrapassa em alguns bilhões de dólares a nossa dívida pública externa. Convoco brasileiros de bom senso a refletirem sobre a estratégia de capitalização da Petrobrás e os investimentos que serão necessários para a aventura do pré-sal. Ou isso, ou admitir a grande possibilidade de, no futuro, nos arrependermos amargamente por termos sido omissos ou coniventes com esse gigantesco passo que está para ser dado, mesmo diante de incertezas tão fortes quanto ao impacto do aquecimento global na revisão da matriz energética deste planeta em um futuro não muito distante! Guilherme Berriel |
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