Automação de Testes

Santander


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Com automatização, Santander reduz em 93,5% o tempo de testes

Banco abrevia time-to-market, com aceleração de entregas sistêmicas, e obtém melhor controle dos impactos no ambiente produtivo

Edilma Rodrigues

O Banco Santander apostou na automação para acelerar os testes de qualidade das funcionalidades desenvolvidas para sistemas do banco. O resultado superou as expectativas. A economia real de tempo foi de 93,5%.

Segundo o gerente geral e responsável pela área de automação do Banco Santander, Arcadio Souto Tato, a organização ganhou tanto em “time-to-market”, com a aceleração de entregas sistêmicas, quanto no controle mais efetivo dos impactos no ambiente produtivo.

O projeto, além de vencer o Prêmio efinance, na categoria Automação de Testes, foi escolhido como favorito pelo jurado da disputa e professor coordenador de MBA em TI e segurança da informação da UNIP, Ronald Cassiolato.

“O projeto desenvolveu vertentes importantes: criou uma equipe específica para testes; utilizou as melhores práticas do Instituto de Testes de Qualidade; utilizou fortemente metodologias ágeis e um ponto muito importante foi a automação do teste, que, além de permitir a velocidade e a agilidade, permitiu a manutenção e a reusabilidade dos artefatos de testes. Com isso, o projeto apresentou excelentes resultados”, justifica Cassiolato.

Para o diretor da RSI Informática, que apoiou o Santander nessa automação, Osmar Higashi, agora o banco está na vanguarda neste terreno. “Poucas empresas conseguem ter ações nesse formato e nessa velocidade”, comenta e comemora: “Este é o quinto troféu efinance que ganhamos. Sempre na área de testes do Santander”.

De acordo com Tato, ter a garantia de testes automatizados é por si só um ganho de tempo, dinheiro e eficiência. “Entretanto, obtermos uma monitoração continuada é uma tranquilidade para o negócio e todos os desenvolvedores. Os ganhos objetivos são de ordem muito significativa. Os testes do projeto Novo IBPJ, com 152 funcionalidades, demorariam três dias se feitos manualmente, mas levaram 2,5 horas com a automatização”, mensura o executivo do Santander.

Até 2016, os testes eram feitos de forma manual. Higashi explica que, após as primeiras entregas realizadas em 2017, os testes regressivos começaram a ser automatizados, em busca da ampliação da qualidade e da redução de tempo para efetuá-los.

Primeiramente, o Santander identificou profissionais com perfil de programador para construir os testes e disseminar a cultura de automatização. O passo seguinte foi saber quais eram as ferramentas mais adequadas para as necessidades. As escolhidas, além das programações de testes em Java e Ruby, foram Selenium, Calabash, Capybara, Cucumber e Appium. “Continuamos atentos para outras novidades, mas com estas opções conseguimos navegar entre testes nas arquiteturas web, mobile e cliente/servidor”, descreve Tato.

Então, o banco selecionou sete projetos piloto para produzir testes paulatinamente, com a metodologia Agile, que prevê “pequenas entregas” das funcionalidades. Higashi ressalta que os testes manuais continuam importantes porque, quando um código chega, pode ter grande instabilidade e são os profissionais que conseguem identificar e reportar problemas rapidamente porque conhecem o negócio, a infraestrutura e a tecnologia do banco, o que agrega muito mais valor que um “robozinho”, nesta etapa.

Teste de regressão

Vale lembrar que um projeto tem centenas de funcionalidades que serão desenvolvidas e liberadas gradativamente. “Cada vez que uma funcionalidade é entregue, o teste não é feito somente nela. É preciso testar tudo que foi entregue anteriormente”, conta o diretor da RSI, que completa: “A automação entra justamente aí: verificar se depois das modificações (inclusão) nada foi afetado”. Esse teste de regressão lida com grandes volumes: centenas, milhares, dezenas de milhares de testes num período muito curto de tempo.

Arcadio Tato informa que o banco realiza testes independentes de qualidade nos seus sistemas e aplicativos desde o ano 2000, com uma área totalmente dedicada a esta finalidade. “Esta independência sempre garantiu o total controle dos potenciais conflitos de interesses encontrados em outros modelos de certificação sistêmica”, assinala.

Ainda segundo Tato, o modelo foi construído de forma a preservar todo o investimento na automação dos testes, por meio do reaproveitamento posterior dos artefatos desenvolvidos. O projeto teve inicio em janeiro de 2017. Na primeira etapa, em março, foram entregues mais de 500 funcionalidades automatizadas da frente de Canais. Ele acredita que esta ação é o início de novo ciclo de testes automatizados nos processos de testes de qualidade do banco, buscando um avanço que possa conduzir ao processo contínuo na esteira da Devops.

E não é para menos. Além da economia real de tempo de 93,5%, o ROI foi de 438%, sem considerar a atualização a valor presente, mas simplesmente os custos x as economias. Higashi concorda e avalia que automação de testes está em linha com a entrega de valor para o mercado e para os clientes, de forma mais rápida e dinâmica. “O Santander está com um movimento muito forte de transformação digital, especialmente considerando tratar-se de um grande banco de varejo, com milhões de clientes e centenas de produtos”, finaliza.