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Caixa centraliza e otimiza o processamento de serviços

Migração para um único datacenter possibilita racionalizar e simplificar arquiteturas de sistemas

Carolina Spillari

Erguer uma estrutura central de processamento de serviços, simplificar as arquiteturas e racionalizar recursos de TI entre os datacenters da Caixa. Com este escopo, o projeto Centro de Serviços Comuns foi responsável pela vitória da instituição na categoria Datacenter do Prêmio efinance.

A iniciativa surgiu da necessidade de pensar numa forma diferenciada de trabalho e reformular a operação do ponto de vista da organização, melhorando com isso a eficiência. Diante do cenário econômico desafiador, a ação visou reduzir o custo operacional e financeiro, seja com hardware, licença ou pessoas. “A ação é uma das mais importantes no âmbito da empresa, por ser estruturante e modificar a cultura dos empregados envolvidos com a tecnologia”, diz Marcos César dos Santos, superintendente nacional de TI do banco.

Na categoria, o case foi considerado o melhor pelos jurados do efinance pela magnitude da mudança operacional, desconhecida no mercado bancário mundial. Uma vez centralizada a estrutura física e geográfica, foi possível concentrar os serviços comuns de uma empresa do porte da Caixa, o que é uma façanha.

Na verdade, o projeto faz parte dos ambiciosos planos da instituição, que almeja chegar a 2022 entre os três maiores bancos do Brasil, contando com a melhor área de TI. As metas estratégicas do Plano Diretor de Tecnologia da Informação, elaborado pela Vice-Presidência de TI, preveem “priorizar a revisão de processos de TI que otimizem recursos, mitiguem riscos e realizem os benefícios de negócio; e ser eficiente no provimento e na gestão dos bens e serviços”.

No empreendimento, foi usada a estrutura de gerência de projetos do Guia PMBOK, adaptada para a realidade da Caixa por suas equipes em cada uma das fases. O projeto iniciou-se em junho de 2014 com sua divulgação para as áreas envolvidas e patrocínio da superintendência de operação de TI. Seu tempo de implantação foi estipulado em três anos.

Tendo em vista a disponibilidade e economia de recursos tecnológicos, as migrações começaram pelos serviços já consolidados e unificados para agregar todo o valor de que a infraestrutura de serviço dispõe. As equipes levaram em conta riscos como a falta de patrocínio nas centralizadoras e as barreiras naturais na perda da administração de um serviço.

Tudo começou com os primeiros ciclos de migração, quando as cargas de processamento das máquinas de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília foram centralizadas em outro ambiente do datacenter construído pela Caixa em Brasília.

Estratégias de migração

Foram estabelecidas, testadas e aprovadas as estratégias de migração entre datacenters geograficamente dispersos baseadas nos modelos bolhas e ondas. De acordo com a Caixa, o modelo de migração em ondas seria um planejamento para levar alguns serviços ou máquinas em lotes pré-definidos, diversas vezes até atingir o objetivo final. Já o modelo em bolha é a construção de réplica da estrutura atual e migração dos recursos tecnológicos de uma só vez.

Após entrega da infraestrutura, foi possível centralizar geograficamente o processamento de toda produção dos sistemas e serviços de apoio ao negócio. A Vitec (Vice-Presidência de Tecnologia da Caixa), que congrega todos os sistemas e serviços de TI suportados pelo banco, ganhou assim condições de iniciar o processo de racionalização e simplificação das arquiteturas de sistemas, através da identificação e consolidação do processamento de todos os serviços (sistemas ou aplicações) comuns às áreas de TI numa única estrutura central, oferecendo alternativa à separação total de cargas de processamento que hoje existe no datacenter.

Deste modo, o Centro de Serviços Comuns “contribui de modo significativo para a meta estratégica de reduzir o custeio de hardware, software e contratos de prestação de serviço, com aumento do investimento em TI”, salienta Marcos César dos Santos.

Na estrutura, são processados apenas serviços comuns, ou seja, sistemas Caixa ou aplicações de mercado que estejam em produção em quaisquer das unidades de tecnologia da SUOTI, a Superintendência de Operações de TI, supervisora de duas gerências nacionais - a GEOTI (Gerência Nacional de Operações de TI) e a GERTI (Gerência Nacional de Serviços Regionais TI). O Centro de Serviços Comuns será responsável por administrar bases de dados de cadastros, sistemas de autenticação, autorização e acesso, assim como as estruturas de publicação e troca de dados comuns.

No projeto, cada uma das entregas representa a migração de um serviço antes processado por centralizadoras ou filiais de TI para a nova área de processamento. Para a tipificação e elegibilidade de um serviço como “serviço comum”, não há restrição de plataforma tecnológica (baixa, intermediária e alta) ou de ambiente de processamento (centralizado ou descentralizado).

Os serviços migrados são processados em estrutura de alta disponibilidade balanceada entre o DTC (Datacenter Caixa) e o Centro Tecnológico Caixa (CTC). Sua construção é pulverizada nas etapas do projeto. O regime de processamento (ativo-ativo X ativo-standby) é definido respeitando as características de cada serviço.

O escopo alcança todos os entes tecnológicos da Caixa e não apenas as centralizadoras, apesar de os primeiros serviços entregues terem sido na plataforma alta (mainframe da IBM). Com abrangência nacional, o custo aproximado foi de R$ 240 mil investidos em horas extras para as equipes.

Janela de oportunidade com o BI

Na avaliação do banco, com a centralização da operação de Business Intelligence (BI), por exemplo, abriu-se uma janela de oportunidade para que equipes desenvolvessem o processo de atendimento deste tipo de sistemas, independentemente da segregação geográfica das áreas demandantes.

Foi então criada sinergia para alavancar as discussões de melhoria da arquitetura de BI, reaproveitamento de desenvolvimento e especialização. “A estrutura de BI é um exemplo de como o projeto gera potencial para alavancar negócios por adequação tecnológica, respondendo ao desafio da modernidade tecnológica e alcançando novos patamares no atendimento à população brasileira”, observa Santos.

Com a centralização de serviços, em especial o de BI, foi aberta ampla discussão em toda a empresa sobre a arquitetura dessa tecnologia. “Ao alavancar ações de BI moderno, o banco poderá criar um grande datalake (repositório) para consolidar os dados. As bases de dados poderão contar com análise cognitiva, garantindo um atendimento direcionado ao cliente Caixa. Essas soluções apontam para as necessidades de negócio da empresa”, destaca o superintendente Nacional de TI.

Para avançar nas soluções "real-time" que propicem análises analíticas e cognitivas profundas do comportamento de seus clientes e dos negócios, a Caixa criou um grupo multidisciplinar e especializado com estudos sobre “data injection” e inteligência artificial. Big Data também é alvo de avaliações internamente.

Sobre a conquista do Prêmio o efinance, Marcos César dos Santos, declara: “Sentimo-nos orgulhosos em receber o prêmio e gostaríamos de agradecer a todas as equipes envolvidas no sucesso do projeto. Poder conduzir um projeto dessa magnitude, numa empresa da envergadura da Caixa, melhorando processos e mudando a cultura da empresa e ainda receber um prêmio nacional foi um reconhecimento grande do nosso trabalho”.