Arquitetura de Sistemas

Bradesco


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Projeto reduz tempo e custos na entrega de serviços móveis

Arquitetura de microsserviços do app carteira digital, com práticas DevOps, assegurou modificações e lançamentos cinco vezes mais ágeis.

Edilma Rodrigues

A Bradesco Seguros mudou sua arquitetura de serviços móveis de monolítica (funcionalidades agrupadas dentro do mesmo sistema operacional) para microsserviços, com a inserção de práticas Devops. A implementação ficou a cargo da equipe de inovação da Scopus, empresa de TI integrante da Organização Bradesco e da diretoria de TI do Grupo Bradesco Seguros.

O aplicativo carteira digital e seus serviços de retaguarda, instalados em dezembro de 2015, foram os primeiros a passar pelo processo. A nova versão foi liberada no início de 2017. Como resultado, houve aumento da estabilidade e resiliência da solução e redução no tempo e custo despendidos no desenvolvimento, da ordem de cinco e vinte vezes, respectivamente. A inovação garantiu o Prêmio efinance na categoria Arquitetura de Sistemas.

De acordo com o diretor do Grupo Bradesco Seguros, Alexandre Nogueira, um dos maiores desafios das empresas no mundo digital é garantir o time-to-market dos lançamentos e as mudanças de suas aplicações para tablets e celulares. “Para assegurar modificações ágeis em termos de alterações de código, planejamento de testes, aferição da qualidade das mudanças e da própria submissão às lojas (Apple e Google), buscamos a transformação da arquitetura do sistema utilizando microsserviços e a incorporação de aspectos Devops, com resultados extremamente positivos, dentre os quais oferecer, de forma mais rápida, serviços melhores a nossos clientes”, explica.

Anteriormente, se uma parte do serviço apresentasse problemas, ele todo ficava indisponível. Na nova abordagem, com exceção das partes (microsserviços) com dificuldade, as demais ficam operacionais. “Com isso, o usuário é beneficiado, pois as funções se mantêm disponíveis na maior parte do tempo”, avalia o gestor da área de Consultoria e Inovação da Scopus, Reginaldo Arakaki, que considera a arquitetura de “desacoplamento”, a granularização dos componentes, em que monoblocos ou monolitos foram quebrados em pequenas partes, a principal melhoria.

Além disso, as plataformas digitais, com apps em smartphones, têm uma dinâmica própria que permite incluir novidades a cada 15 dias ou a cada mês. “Os microsserviços, juntamente com as disciplinas de engenharia de software presentes no Devops, trazem essa possibilidade para o mercado financeiro e de seguros – nos quais, em função de cultura e método, os lançamentos demoram de 6 a 8 meses”, mensura Arakaki.

Participação de pesquisadores

Os estudos e a definição dos métodos tiveram a participação de pesquisadores (mestres e doutores) do Laboratório LARC do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da Escola Politécnica da USP. Esse estudo faz parte do convênio de pesquisas que a Scopus mantém com o Larc/USP sobre inovação de plataformas, métodos e segurança de soluções digitais.

O resultado destas parcerias trouxe a aplicação da arquitetura de microsserviços na estrutura da aplicação e dos sistemas legados, dividindo-os em vários serviços menores, com execução descentralizada, autônoma e, principalmente, orientada ao negócio. A versão monolítica do app carteira digital demandava mais tempo de desenvolvimento para manutenções e novas funcionalidades.

Ainda de acordo com o gestor da Scopus, todos os usuários da carteira digital da saúde, da Bradesco Saúde, utilizam os serviços sem saber que estão baseados na nova estrutura, uma vez que os aspectos arquiteturais são transparentes para eles. Para os usuários, “um dos possíveis benefícios é a maior qualidade das funcionalidades. Mas o maior impacto pode ser sentido pelos gestores, em relação a ganhos de tempo para lançar novidades”, esclarece.

O diretor do Bradesco concorda. “Além da mudança de arquitetura, a aplicação de disciplinas de engenharia de software automatizadas para construção, testes e implantação que a Devops trouxe foi essencial para garantir as entregas e facilitar a gestão da disponibilidade dos ambientes”, confirma Nogueira, que acrescenta: “Investimos em torno de um ano, entre pesquisa, formalização e aplicação do método, desenvolvimento industrial e submissão às lojas. Nesta jornada, contamos com um time multidisciplinar”.