Empreendedorismo

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Banco do Brasil instala laboratório para experimentação no Vale do Silício

Desde que passou a funcionar, em agosto de 2016, experiência tem motivado significativas mudanças na cultura organizacional da instituição

Suzel Belmonte

Para acelerar o processo de inovação em um mercado cada vez mais competitivo e veloz na experimentação e implantação, nada melhor do que “viver” entre as empresas mais inovadoras do mundo. Foi este anseio que levou o Banco do Brasil a montar um laboratório avançado para o desenvolvimento de novos métodos de trabalho, tecnologias e negócios em pleno Vale do Silício, na Califórnia (EUA). A iniciativa fez nascer o projeto LABBS – Vale do Silício, que conquistou o Prêmio efinance 2017 na categoria “Empreendedorismo”.

Wladinir Borgonovi, diretor da Information Systems Security Association (ISSA) e membro do júri do efinance 2017, diz que foi a “ousadia” do Banco do Brasil que o levou a eleger o projeto como o melhor em sua categoria. “Na nossa área, de altíssimo conteúdo tecnológico, todas as decisões e todo o trabalho que geramos e do qual precisamos depende muito de conhecimento, sorte, persistência e muita, muita, muita ousadia. Até pouco tempo atrás, a fronteira do desenvolvimento e da ousadia nessa área era a construção de um centro de desenvolvimento interno. O Banco do Brasil foi além: alargou suas fronteiras e foi até o Vale do Silício. Lá, é possível fazer novas parcerias, aprender novos métodos de trabalho, novas culturas e trazer para o Brasil novas ideias, ainda que as ideias no Brasil já sejam bastante avançadas”, destaca ele.

Instalado dentro da Plug and Play, uma das maiores aceleradoras do mundo, o LABBS – Vale do Silício é o ambiente perfeito para absorver a cultura empreendedora da região, conhecer como se dá o desenvolvimento de uma startup, conviver com empreendedores de outros países, fazer parcerias e captar novos negócios, avalia Alexandre Vasconcellos de Lima, gerente de Divisão do Programa de Transformação Tecnológica (PTT)/Gerência Plataforma Digital, da instituição.

“Estar no Vale do Silício é estar imerso num ecossistema inovador e diferente daquele que temos no Brasil. Permite que entendamos como a cultura e as empresas de lá funcionam. Inicialmente, o banco está prospectando as novidades do Vale do Silício e implementando mudanças internas para evoluir os processos, desenvolvendo produtos e serviços melhores para os nossos clientes”, conta ele.

Faça rápido, erre rápido

O projeto, que recebeu investimentos de R$ 3 milhões, é direcionado aos funcionários do banco, e permite que qualquer colaborador, de qualquer lugar do país, participe. As iniciativas e os funcionários que irão para o LABBS – Vale do Silício são escolhidos em eventos internos realizados pelo banco.

Eles apresentam suas ideias no formato pitch (apresentação rápida de três minutos), que é o modelo utilizado por startups para captação de recursos junto a investidores. Nesse contexto, os investidores são as diversas diretorias do Banco do Brasil que, caso identifiquem alguma ideia que interesse para o seu negócio, podem disponibilizar uma verba para o deslocamento dos funcionários que irão desenvolver o projeto no Vale do Silício.

As iniciativas que entram no LABBS – Vale do Silício utilizam a metodologia de startup enxuta (Lean Startup), cujo princípio é o “faça rápido, erre rápido”, e passam por uma “garagem” de três semanas, ainda no Brasil, para a criação da proposta de valor e do que se espera ser criado no Vale do Silício. Com isso, é apresentado um pitch com a proposta para as diretorias interessadas e, em caso de confirmação, a iniciativa é enviada para o Vale do Silício.

“Este processo acontece para verificarmos se a ideia é viável financeiramente e trará resultados para o banco. Em caso negativo, o projeto não segue para o Vale. Com isso, há um resultado consideravelmente mais assertivo na relação receitas x custos, e apenas projetos comprovadamente rentáveis são enviados para o desenvolvimento externo”, observa Lima.

Quinta turma em preparação

Desde que a iniciativa passou a funcionar, em agosto de 2016, três projetos já foram incubados no laboratório e um está em desenvolvimento. Os dois primeiros estão em negociação para a aceleração dentro do banco ou em empresas coligadas, e o último projeto que retornou ao Brasil está sendo acelerado. No momento, o banco já está preparando a quinta turma, que viajará no próximo mês de agosto.

Apesar de as equipes terem total autonomia para trabalhar no formato que considerarem melhor, o LABBS – Vale do Silício possui um Gerente de Negócios Digitais, que fica alocado no país e é responsável pelo acompanhamento dos projetos e por dar suporte aos times destacados. Este gerente também tem a função de captar e observar novas oportunidades de negócios para o banco, assim como estreitar laços com potenciais parceiros.

Primeiro grande banco brasileiro a instalar um laboratório para experimentação no Vale do Silício, o Banco do Brasil espera obter um retorno seis vezes maior do que o custo do projeto. Também prevê a redução de custos de desenvolvimento com soluções pouco inovadoras, o incremento de receitas com oferta de novos produtos, o aumento no índice de satisfação dos clientes e a valorização da marca Banco do Brasil. Até o momento, a instituição economizou R$ 2 milhões em experimentos, e estima uma economia de, aproximadamente, R$ 10 milhões até o final de 2017.

“O Labbs tem motivado significativas mudanças na cultura organizacional do Banco do Brasil. A inquietude que o ecossistema do Vale possui fica impressa no espírito dos funcionários que passam pelo Labbs. A experiência vivida por eles tem mudado a forma de trabalho dessas equipes e reverbera em todo o banco, melhorando os produtos e a experiência do cliente”, assinala Lima, acrescentando: “A mudança aparece não só na mentalidade da diretoria, mas, também, na atitude dos analistas que passaram a propor e agir mais, endossando a estratégia de intraempreendedorismo do banco”.

De acordo com o gerente, esse processo de intraempreendedorismo do banco é contínuo e seleciona times a cada quatro meses para a incubação no Vale do Silício. Além dessas incubações programadas, o banco está em contato com empresas parceiras para desenvolver soluções em conjunto, na Califórnia, que serão divulgadas “no momento oportuno”.