Inovação em Autoatendimento

Saque e Pague


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Caixas eletrônicos integram o meio físico ao digital

Multibanco e multisserviços, solução transforma terminais de autoatendimento comuns em pontos de venda.

Edilma Rodrigues

A Saque Pague venceu o Prêmio efinance 2017, na categoria “Inovação em autoatendimento”, por desenvolver plataforma multisserviços que une o mundo físico ao digital. A solução, desacoplada do modelo tradicional e com inovações para o varejo e para os bancos, também atende aos desbancarizados. “O objetivo era resolver o problema latente, principalmente do varejo, com o custo do dinheiro e seu risco e incluir financeiramente pessoas desassistidas pelo sistema atual, que são 36% da população economicamente ativa, mais de 50 milhões de brasileiros”, explica o diretor presidente da Saque e Pague, Givanildo Luz.

Com o advento das fintechs, bancos digitais, empresas de cashback e das operadoras, principalmente de pré-pagos, o modelo da Saque e Pague evoluiu para se tornar a interconexão entre o mundo físico (o dinheiro) e o digital. “Encontramos outro nicho de atuação, que é exatamente dar o canal de acesso físico a esse mundo digital porque os dois têm que coexistir. O mundo apenas físico não existe sem o cliente inserir, de alguma forma, o dinheiro no sistema financeiro. E o mundo apenas digital ainda está muito distante de acontecer”, ressalta Luz.

Para o executivo, o grande segredo da empresa é a plataforma proprietária de autoatendimento, que detém a inteligência do negócio e garante flexibilidade para desenvolver soluções novas e diferentes num curto espaço de tempo. Foi assim que a Saque e Pague transformou sua solução em um ponto de vendas, onde é possível fazer a recarga de bilhete de transporte, transferências de um não bancarizado para um bancarizado, pagar contas com dinheiro sem ser correntista de uma instituição, emitir cartão, capturar e imprimir cheques, depositar dinheiro com crédito em tempo real etc. “Para nós, o hardware é meio de acesso à nossa plataforma e à dos nossos clientes. Nós chamamos ponto de venda porque transformamos um ATM tradicional em um equipamento de venda de produtos eletrônicos e de operações,” esclarece.

Presente em 16 Estados brasileiros – no Norte, Nordeste e Sudeste –, os caixas multisserviços da empresa somam quase um mil. A expectativa é chegar a 1.500, até o fim de 2017. Os pontos ficam em lojas de varejo, onde, atualmente, são feitas mais de três milhões de transações por mês. A proposta é ser uma extensão das agências, com serviços disponíveis 24h por dia. “Um taxista que acumula dinheiro na madrugada pode ir a um posto de combustível e fazer o depósito em sua conta corrente e evitar o risco de assaltos”, enfatiza Luz.

Empresas de cartões

Entre as empresas que integram a rede de terminais Saque e Pague, estão as de cartões pré-pagos, como a Zuum, a Ticket e a Maxxcard, que atua no Norte do Brasil. E os bancos conectados à sua plataforma são Banrisul, Topázio, Banpará, Banese, Banestes, Banco Mercantil do Brasil e, segundo Luz, outros que estão em processo de integração. “Buscamos parceria com todos os bancos porque acreditamos muito no modelo de compartilhamento de rede, de infraestrutura. Isso acontecendo, a tendência é que, no fim do dia, ocorra uma redução de custos e tarifas para o cliente final dos bancos”, afirma.

O ecossistema da Saque e Pague atende, portanto, quatro públicos: bancos, para os quais agregou tecnologia, redução de investimento e de custos; varejo, com melhoria de segurança e gestão e redução de custo; desbancarizados e as fintechs. Estas últimas, segundo a empresa, são grandes aliadas, que devem crescer muito nos próximos anos e acolher a população desassistida. “Queremos ser o meio de acesso delas a esse sistema novo que está surgindo no Brasil”, avisa Luz. Por sua vez, para a Saque e Pague, as companhias de cashback representam um novo modelo de campanha de fidelidade para o cliente.

O Saque e Pague, que iniciou suas atividades em 2011, faz parte do grupo Ernesto Corrêa, que criou a Getnet e a vendeu ao Santander e é dono de vários empreendimentos no Brasil, como a rede de hotéis Intercity. Em 2014, foi feito um spin off e, hoje, a Saque e Pague é uma empresa totalmente independente. No ano seguinte, a Stefanini adquiriu 40% de seus ativos, o que aportou know-how tecnológico e capilaridade no Brasil e fora dele. “A Stefanini está presente em 40 países e é uma das empresas mais internacionalizadas do País, com mais de 20 mil funcionários ao redor do mundo”, comenta o executivo.

De acordo com Luz, alguns fatores contribuíram para o reconhecimento da plataforma Saque e Pague e, por extensão, para a premiação efinance do case “Uma Rede Multisserviços que Transformou a Indústria do Autoatendimento Bancário e Não Bancário no Brasil”: agilidade ao fazer soluções customizadas e atender o que o modelo tradicional não atende; know-how e ousadia para fazer diferente; fazer parte de um grupo empreendedor, com visão de inovação e disposto a investir. “Tanto que investimos, junto com um parceiro, na primeira agência totalmente digital do Brasil, no Banpará”, conclui ele.