Menu

Auditoria interna de peito aberto

Rene Andrich, membro do Conselho de Administração do Instituto dos Auditores Internos do Brasil – IIA Brasil Rene Andrich, membro do Conselho de Administração do Instituto dos Auditores Internos do Brasil – IIA Brasil

Relação entre auditores e alta administração tem de ser franca e direta, para que sejam identificados pontos sensíveis e ameaças aos negócios

Artigo escrito por Rene Andrich, membro do Conselho de Administração do Instituto dos Auditores Internos do Brasil – IIA Brasil 

É chegado o final de ano, época em que todos olhamos para trás, avaliamos os pontos positivos e negativos e planejamos o que vem pela frente. Para os auditores internos, esse timing é crucial. Momento de definir o plano de trabalho para o ano que se aproxima e de realizar a árdua e um tanto imprevisível tarefa de identificar riscos que possam vir a impedir a empresa de atingir seus objetivos estratégicos.

O temor que rondava os corredores das organizações em revelar preocupações para os auditores é coisa do passado. Esses profissionais cada vez mais estão sendo vistos como parceiros, com a missão de sugerir melhorias nos processos, gerar valor  e apresentar ideias diferenciadas para a gestão do negócio. Mas como usar todo o potencial da equipe de auditores internos?

Não há como fazer isso sem que os auditores estejam alinhados às iniciativas estratégicas da organização e capacitados. Para que essa integração não fique apenas no quadro de missão da auditoria, esses profissionais precisam conversar abertamente com a alta administração, a fim de escutar suas histórias e identificar quais situações poderiam vir a ser objeto de um trabalho complexo. Essa comunicação é fundamental e deve ocorrer de forma frequente. 

O relacionamento entre a auditoria e a alta administração deve ser franco e direto. É preciso que fique claro para os auditores onde estão as ameaças. Devem ser mostrados a eles os pontos sensíveis do negócio, onde há baixa visibilidade, e onde pode haver um problema cuja extensão ainda não está clara. O auditor precisa entender o que precisa melhorar.

Segundo pesquisa divulgada neste semestre pelo The IIA – The Institute of Internal Auditors – o mais completo estudo do mundo do setor -, que ouviu quase 15 mil auditores de 166 países, apenas 57% das auditorias estão alinhadas ao plano estratégico da empresa. É muito pouco! Se quase metade caminha para outra direção, é leviano esperar que o auditor possa agregar valor ao negócio e evitar que se instale na organização um ambiente frágil e vulnerável a fraudes e desvios.

As companhias estão buscando soluções de negócios cada vez mais alinhadas a novas tecnologias, um diferencial competitivo e um movimento estratégico. Mas os investimentos na capacitação de auditores nessa área ainda são modestos. Evidência disso é o dado da mesma pesquisa que aponta que mais de 60% das auditorias internas afirmam possuir conhecimento mínimo ou mediano sobre o uso de mídias sociais e de cibersegurança de informações. Não se pode jogar com um time sem preparo.

São necessidades de melhorias que devem ser realçadas e debatidas. Dessas reflexões poderão surgir formas de trabalhar e evitar surpresas negativas. É esperado que os auditores digam onde irá ocorrer o próximo desastre, antes que ele efetivamente ocorra. 

O alerta é claro: a auditoria que não estabelecer uma comunicação consistente com a alta administração e não estiver capacitada para dar a resposta esperada corre o risco de perder valor . Não é responsabilidade do auditor identificar fraudes, mas é certo que um adequado ambiente de governança corporativa, incluindo uma auditoria interna forte, com linha de reporte adequada ao conselho de administração, ao comitê de auditoria ou ao dono da empresa, pode contribuir para identificar se há fumaça – um sinal de enorme possibilidade de fogo. 

Um plano realista, seguro e que agregue valor dependerá muito dessa conversa aberta e franca. A auditoria interna precisa manter sua independência, mas nunca conseguirá fazer seu trabalho se não estiver próxima do dia a dia dos negócios. Deixemos as indesejadas incertezas somente para a turbulenta situação do país, que parece mais política que econômica. E vamos em frente, com otimismo!

Debater, identificar as ameaças e planejar de forma sincronizada formam a rota do melhor caminho a seguir. As coisas vão melhorar,  e devemos estar preparados para a retomada.  Como disse Peter Drucker, referência da administração moderna: existe o risco que você não pode jamais correr, e existe o risco que você não pode deixar de correr.

 

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.

voltar ao topo

Finanças

TI

Canais

Executivos Financeiros

EF nas Redes