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Mudanças no cenário econômico redefinem papel dos CFOs

Felipe Brunieri, gerente da Divisão de Finanças e Tributário da Talenses Felipe Brunieri, gerente da Divisão de Finanças e Tributário da Talenses

Executivos da área contábil focam cada vez mais os negócios-fim e os esforços de compliance de suas empresas

Devido às mudanças no cenário econômico e em face das demandas emergentes do mundo corporativo, os executivos de finanças de hoje – sejam os CFOs (Chief Financial Officers) propriamente ditos, sejam os que ocupam outros postos de liderança nas organizações – assumiram novas e críticas responsabilidades. Seu papel torna-se cada vez mais decisivo na formulação e execução das diretrizes estratégicas das empresas, tendo em vista a necessidade de agregar valor e garantir a resiliência e a integridade das operações. 

Como detalha Felipe Brunieri, gerente da Divisão de Finanças e Tributário da Talenses, consultoria voltada para o recrutamento de executivos, em entrevista para o portal de Executivos Financeiros, as incertezas, a volatilidade e as novas exigências dos mercados estão induzindo os profissionais da área a focarem diretamente os negócios-fim. Ficaram no passado, portanto, os tempos em que eles restringiam sua atuação sobretudo às rotinas administrativas. 

Como decorrência inevitável destas injunções conjunturais, surgiu uma maior preocupação com a implantação das políticas de compliance e de mitigação de riscos, em linha com os severos requisitos regulatórios que pautam atualmente o universo empresarial. 

No caso brasileiro, para ficarmos em um exemplo contundente da atualidade, a Operação Lava Jato vem desnudando um sem-número de atos de corrupção praticados por poderosas companhias, o que coloca na ordem do dia o imperativo de se criar um ambiente de negócios mais ético e transparente. 

Na verdade, observa Brunieri, se olharmos de perto a evolução do papel dos executivos de finanças ao longo das últimas décadas, fica patente de que maneira a natureza e o exercício de suas funções se foram adaptando às transformações do panorama político e macroeconômico. 

Acurácia dos números contábeis 

Assim, por exemplo, no começo dos anos 1990, que foram marcados pela escalada da globalização e pela volatilidade cambial no governo Collor, ganharam relevância carreiras como as de tesoureiro e de contador. “Era preciso cuidar do caixa das organizações, considerando as oscilações constantes do câmbio. Ao mesmo tempo, cabia gerir de perto os balanços, altamente impactados pela inflação. A acurácia dos números passou a ser levada muito a sério pelas empresas”, recapitula o entrevistado. 

Já os anos 2000 se caracterizaram pela estabilidade financeira e pelo crescimento econômico sob o governo Lula. A função do contador seguia sendo importante, mas era preciso que os profissionais dessem um passo adiante e assumissem uma visão de negócios, habilitando-se por exemplo a realizar projeções para os anos subsequentes. “Desse modo, a atividade de elaboração dos orçamentos tinha de ter resultados mais gerenciais, não só contábeis”, explica o gerente da Talenses. 

Um grande marco regulatório, que visava criar um ambiente de negócios mais seguro e confiável, foi representado pelo advento da Lei Sarbanes-Oxley em 2002, em resposta às fraudes contábeis cometidas por megaempresas no mercado americano. De seu lado, especificamente no segmento financeiro, o Acordo da Basileia 2 fixou parâmetros de compliance mais rigorosos, os quais forçaram também os bancos a elevarem a transparência e o controle dos riscos na condução de suas atividades. 

É claro que, neste contexto, os gestores empresariais se viram induzidos a incorporarem, efetivamente, os princípios da boa governança às suas práticas do dia a dia, implementando por exemplo grandes frameworks como o COSO (Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission). Ganharam assim proeminência os procedimentos de controle e a realização de auditorias rigorosas por parte das equipes internas e das consultorias especializadas. 

Por fim, nota Felipe Brunieri, os anos 2010 vêm assistindo ao acirramento ainda maior da competição nos mercados, em cenários nos quais as incertezas de natureza política e econômica passaram, como nunca, a desafiar o desenho das políticas e das estratégias das empresas. 

Deste modo, situa o entrevistado, no afã de aprimorar o ambiente jurídico-legal e elevar a transparência, os profissionais de finanças, no mais das vezes, acabaram por colocar debaixo de seu guarda-chuva as áreas de gerência de riscos e de compliance, exercendo nesse sentido um forte papel de business controllers: “A ordem é mitigar o máximo possível os riscos, dando maior peso aos controles internos e às auditorias constantes. Nesse sentido, os CFOs têm papel preponderante”. 

Competências e expertises requeridas

 Em um balanço geral, tendo-se em mente este conjunto de fatores, que tipos de competências e de expertises são demandados hoje dos CFOs? Ressalvando que tudo vai depender da área de negócios envolvida, do porte e da origem das organizações, o especialista da Talenses elenca os principais atributos que, a seu juízo, devem pautar o perfil destes profissionais. 

De saída, recomenda ele, “os executivos não podem orientar-se por uma conduta ‘by the book’, mas devem considerar os impactos das decisões nos resultados das empresas, tendo em vista o médio e longo prazos”. 

Outra qualificação requerida é a capacidade de criar alianças internas e influenciar as diversas áreas, viabilizando a execução dos projetos. Isso pressupõe que o profissional detenha um grau de dinamismo que lhe permita lidar com diversos ambientes. “O CFO deve ser multitask, estando apto a falar com todos os setores e lidar com todos os tipos de desafios”, pormenoriza Brunieri. 

Por fim, conclui o especialista, robustecendo a resiliência profissional, a pró-atividade desponta como outra virtude desejável, possibilitando que o profissional se antecipe às pioras de cenário e, mais do que isso, persiga constantemente as oportunidades de melhoria e a geração de valor agregado.

Gráficos: Talenses 

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