Legislação e Tributos

Abordagem GRC avança nas empresas, mas ainda há muito por fazer


Organizações de capital aberto e as mais sujeitas a regulações saíram na frente

Por: Irineu Uehara em 21 de Março de 2014

Desde a sua aparição no mercado, a abordagem conhecida como GRC (Governance, Risk and Compliance) vem conquistando terreno no mundo corporativo ao estabelecer um tratamento mais integrado e holístico aos processos e práticas de governança. No entanto, ainda há muito por fazer a fim de que ela se enraíze de vez em meio às empresas.

Para mais bem situar os benefícios trazidos pela GRC, Cristiane Amaral, líder da América do Sul em consultoria e melhoria de performance da EY, constata primeiramente que as grandes companhias, em sua maior parte, mantêm diversas áreas e funções responsáveis por executar todas as rotinas relacionadas à governança, tais como Auditorias Interna e Externa, Controles Internos, Compliance, Gestão de Riscos, Controladoria, Jurídico, entre outras.

Ocorre, porém, que estas áreas ou funções “geralmente atuam de forma não integrada ou coordenada, gerando ineficiências, sobreposições, custos adicionais e falta de alinhamento com acionistas, conselhos e diretoria executiva”, diagnostica a entrevistada. Neste contexto, prossegue ela, o conceito do GRC foi desenvolvido justamente para eliminar (ou reduzir) tais problemas, mediante a conjugação de todas as atribuições, em sintonia com os objetivos organizacionais.

Outra insuficiência observada por Cristiane é que, apesar de um certo avanço na discussão do tema em grandes organizações, o foco está muito voltado para a dimensão da tecnologia da informação. “Uma solução de TI apropriada é essencial, mas a visão do GRC deve induzir mudanças mais profundas que viabilizem a efetiva integração e alinhamento dos setores e tarefas”, preconiza a especialista. Portanto, complementa ela, “acreditamos que ainda sejam necessários avanços substanciais para potencializar os benefícios que o GRC pode gerar”.

Por fim, a consultora da EY nota que a abordagem conquistou mais espaço em companhias de capital aberto e nas que sofrem maior pressão por conformidade, decorrente de requisitos como os da Lei Sarbanes-Oxley, por exemplo. A resistência mais forte vem de organizações com administração familiar ou de capital fechado. “Entretanto, vale ressaltar que existem casos de empresas com essas características que possuem um elevado nível de maturidade no trato da governança corporativa”, conclui Cristiane.

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