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Fornecedores choram pelos cortes e apertos da Petrobras

Fornecedores choram pelos cortes e apertos da Petrobras

Depois que a Petrobras – “asfixiada financeiramente”, segundo expressão dita ontem (30.06) pelo Diretor Financeiro e de Relações com os Investidores, Ivan Monteiro, na entrega do Prêmio Petrobras de Jornalismo 2014, na Sala Cecília Meirelles, no Rio de Janeiro – teve de cortar 40,93% dos investimentos no Plano de Negócios e Gestão 2015-2019, em relação ao anterior (2014-2018), ou seja, encolhendo os investimentos de US$ 220,6 bilhões para US$ 130,3 bilhões, começaram a surgir na imprensa especializada versões de que o regime de dieta forçada da estatal pode gerar quebradeira e onda de demissões no setor de petróleo e gás.

O site especializado, Petronotícias, chega a estampar a seguinte manchete: “NOVO PLANO DA PETROBRÁS PODE QUEBRAR MUITAS EMPRESAS E GERAR MILHARES DE DEMISSÕES NO SETOR DE PETRÓLEO E GÁS”. Seria cômico se não fosse trágico. Para começar, as demissões, de terceirizados e no próprio corpo de empregados, atingido por Plano Incentivado de Demissão Voluntária, desde fins de 2013, e na cadeia de fornecedores, começaram no fim de 2014.

Não foi o forte realismo da nova diretoria (realismo que já se desenhava na malograda proposta da ex-presidente Graça Foster de dar baixa líquida de R$ 61 bilhões nos ativos da Petrobras que ficaram inviáveis com a queda drástica dos preços do petróleo) ao encolher os planos de investimento à realidade de uma empresa sem capacidade para se endividar. Como se isso não bastasse, é preciso voltar às origens e botar os pingos nos iis. Não é o novo Plano de N&G que pode quebrar muitas empresas e gerar demissões na cadeia de O&G. São os delírios dos projetos baseados em premissas mirabolantes, superfaturamentos, roubalheira e deficiência de gestão dos planos anteriores (frustrados e inviabilizados pela queda drástica dos preços do petróleo) que quase quebraram a Petrobras. Ou seja, para se salvar, a estatal está sendo forçada a brutal aperto de cinto, e as consequências serão inevitáveis.

O que a matéria da Petronotícias não disfarça é o desconforto de vários fornecedores da Petrobras com a decisão da empresa de recadastrar fornecedores e rever contratos. “A pior notícia que o setor podia receber chega da decisão de se recadastrar todas as empresas fornecedoras e a necessidade de renegociar todos os contratos, mesmo os já assinados. Além disso, haverá obrigatoriamente que se repactuarem as dívidas com os fornecedores. Na prática, isso vai significar novos critérios para seleção das empresas, sob exigências que nem a Petrobrás sabe ainda quais serão. A consequência imediata são mais atrasos e uma paralisia do mercado de serviços e da indústria de máquinas. Não será um processo rápido. Haverá muita burocracia a ser vencida. Para piorar, a declaração do presidente da companhia durante o anúncio do plano revela que a estatal não parece ter mesmo a preocupação com o cumprimento da política de conteúdo nacional”: “Se precisar ser feito lá fora, será.” – disse Aldemir Bendine”, afirma o site.

Como disse Ivan Monteiro, o impacto das decisões da Petrobras não é pequeno na economia, já que ela “representa 13% do PIB” (Produto Interno Bruto). Mas o recadastramento dos fornecedores começou na gestão de Graça Foster, quando, após a revelação de mais de 20 empreiteiras envolvidas na Lava Jato, a empresa as declarou inidôneas para novas licitações. De outra parte, os sucessivos atrasos nas entregas de obras e equipamentos (em parte possíveis pela frouxidão na gestão de fiscalização da execução dos contratos, parte por problemas fortuitos) sempre foram acompanhados de reajustes nas planilhas de despesas da Petrobras (em benefício dos fornecedores). Quando a estatal quer fazer o inverso, depois que a Lava Jato provou que havia muita gordura nos contratos, inclusive para irrigar esquemas de corrupção a partidos da base aliada e da oposição, argumenta-se com a defesa de princípios que deviam ter sido exaustivamente defendidos anteriormente. Se alguma coisa está errada, não é a decisão atual da Petrobras.

 

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