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Os desastres e as reações na economia

Os desastres e as reações na economia

O desastre ambiental causado pelo rompimento de duas barragens da mineradora Samarco em Mariana (MG) continua a produzir grandes estragos, além das vítimas não totalmente localizadas. Para começar, além dos danos ambientais no distrito como Bento Ribeiro e no eixo que estende pelo Rio Doce até a sua foz, no Espírito Santo, as ações da Vale e da BHP, que dividem o controle da Samarco, não param de despencar. As perdas da Vale são ainda maiores, porque suas minas de Timbopeba e Fábrica Nova, em MG, forneciam para minério de ferro para a unidade de pelotização da Samarco que provavelmente não terá recuperação.

 

A própria Vale já estimou que a redução da produção será de 3 milhões de toneladas em 2015 e pelo menos 9 milhões de t em 2016. Por isso suas ações caem bem mais fortemente que as da BHP, desde o acidente da semana passada. Outra visão é que que as exigências dos órgãos de meio ambiente para exploração de minérios em MG e outras regiões do Brasil serão mais rigorosas daqui para a frente. Daí, mais dificuldades para a Vale, já que a BHP tem mais negócios na Austrália.

Mas o lado oculto de todo grande desastre ambiental que envolve grandes empresas são os estragos colaterais no mercado de seguros e resseguros. Prevê-se uma das maiores indenizações empresariais da história com o acidente, que deve gerar inúmeras ações de indenizações. Resta saber o que as cláusulas do seguro e do resseguro estão cobrindo. O que não couber ao seguro, poderá ter de ser arcado pela própria Samarco.

As grandes empresas privadas têm uma dinâmica própria bem diferente das estatais. Se a Vale ainda fosse uma empresa estatal, certamente os processos de arrastariam por muito tempo. Veja-se o caso de outro gigantesco desastre empresarial – o maior da história brasileira – a descoberta pela Operação Lava-Jato das falcatruas na Petrobras. Um ano depois, as ações da estatal despencaram 65%, mas a nova diretoria ainda não conseguiu po0r em prática o plano de desmobilização de ativos que chegaria até 65 unidades de negócios.

Mas uma das grandes empreiteiras apanhadas na Lava-Jato e que foi proibida de operar com a estatal, a baiana OAS, tratou de vender anéis para salvar os dedos. Numa prova de que a conjuntura não está favorável, mas é preferível se desfazer de ativos quando a operação envolve cancelamentos de dívidas, especialmente para uma empresa com baixas perspectivas de faturamento futuro, a OAS está fechando a venda de 24% da Invepar, seu braço de investimento em projetos de infraestrutura, por R$ 1,35 bilhão para o grupo Brookfield.

Há seis meses, a OAS imaginava conseguir R$ 2,8 bilhões na operação. Mas está satisfeita em passar parte do controle de aeroportos (Guarulhos), metrô (Rio), portos e ferrovias, para poder reduzir o endividamento em mais de R$ 800 milhões. Na Petrobras, diante da lentidão burocrática dos processos e da visão estatizante do negócio de petróleo, gás e energia, a estatal foi atropelada pelo endividamento em dólar e deve apresentar nesta 5ª feira prejuízo da ordem de R$ 1,8 bilhão, conforme previsão dos analistas.

É discutível dizer se a OAS fez bom ou mau negócio. Mas é certo que o Brookfield terá ampliado seu risco no Brasil. O grupo, que concentra suas atividades no mercado imobiliários, enfrenta uma a péssima conjuntura no Brasil: as vendas de moradias novas na cidade de São Paulo caíram 50,1% em setembro na comparação anual, enquanto os lançamentos recuaram 74,3%, segundo dados do Secovi-SP, sindicato de habitação. A queda é explicada em parte pelo fato de setembro de 2014 ter sido o terceiro melhor mês em termos de vendas e lançamentos no ano passado. Em 12 meses, as vendas caíram 5,4%.

Mas o mercado financeiro continuou nervoso e o Banco Central teve de fazer novas ofertas de até US$ 500 milhões com compromisso de recompra. A operação, que não tem como fim rolar contratos já existentes, acontecerá em duas etapas: entre 15h15 e 15h20, o BC ofertará dólares com recompra em 4 de abril de 2016 e, entre 15h30 e 15h35, com recompra em 5 de julho de 2016. O BC também deu continuidade, nesta manhã, à rolagem dos swaps cambiais que vencem em dezembro, rolando o equivalente a US$ 3,552 bilhões, ou cerca de 33% do lote total, que corresponde a US$ 10,905 bilhões.

Um dos motivos para o nervosismo do mercado foi a volta dos insistentes boatos, vocalizados pelo Valor Econômico em sua edição impressa de hoje, dando conta de que a avançou no governo a articulação, iniciada pelo ex-presidente Lula para a troca do atual ministro da Fazenda, Joaquim Levy, pelo ex-presidente do Banco Central, nos dois governos Lula, Henrique Meirelles.

Meirelles nunca cultivou boas relações com a então ministra Chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, desde que ela substituiu José Dirceu, em 2005. O fato só aumenta o desgaste de Joaquim Levy, que está procurando marcar posição, jogando duro na cobrança de amortizações do BNDES no Programa de Sustentação do Investimento. Em princípio, o BNDES poderia ressarcir o Tesouro em R$ 30 bilhões, reduzindo o rombo do déficit público este ano. Mas, defesa do erário à parte, seria uma boa plataforma para Levy sair de cena atirando e fazendo um bom papel.

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