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Bradesco e Itaú: pessimismo a curto prazo, otimismo em 2018

Bradesco e Itaú: pessimismo a curto prazo, otimismo em 2018

Os dois bancos acreditam que nas reuniões do Copom de 25 e 26 de julho a Selic caia 0,75 p.p. para 9,50% e siga caindo até 8% em dezembro

O Itaú divulgou hoje suas novas projeções para os cenários da economia brasileira em 2017 e no próximo ano. Mais pessimista que o Bradesco, a curto prazo, o Itaú está prevendo queda de 0,8% no PIB do 2º trimestre (o Bradesco prevê queda de 0,3%), mas acredita que com a queda da inflação (a taxa do IPCA em 12 meses desceria a 2,7% em julho e a 2,5% em agosto, para fechar o ano em 3,3%, a menor taxa desde os 3,2% de maio de 2007), haverá espaço para uma queda da Selic dos atuais 10,25% para 8% em dezembro e para 7,50% em 2018, quando o IPCA subiria 4%. O Bradesco espera que o IPCA feche em 3,4% em 2017, com a Selic em 8%, nível mantido até dezembro de 2018, quando a inflação seria de 4%.

O Itaú e o Bradesco acreditam que nas reuniões do Copom de 25 e 26 de julho a Selic caia 0,75 p.p. para 9,50% e siga caindo até 8% em dezembro. Para o Itaú, nova queda de 0,75 p.p, viria em 6 de setembro e outra queda de 0,50 p.p. em 25 de outubro e, finalmente, uma baixa de 0,25 p.p. em dezembro. Apesar disso, o Itaú acredita que já haverá espaço para nova queda de 0,50 p.p. na reunião de 7 de fevereiro, quando a taxa acumulada em 12 meses do IPCA estaria em 3,6%, após fechar em 3,3% este ano, devido à pressão dos reajustes sazonais, como os da Educação.

Os departamentos econômicos do Itaú e do Bradesco têm visões diferentes também sobre a marcha do PIB. Para este ano, o Depec Bradesco prevê crescimento zero, com crescimento de apenas 2% em 2018. O Itaú prevê que após a queda de 0,8% no 2º trimestre, o atual trimestre apresente crescimento de 0,5%, com forte empuxo de 1,8% no 4º trimestre que asseguraria a expansão de 0,3% no PIB deste ano e facilitaria o crescimento de 2,7% em 2018. No começo do ano (até abril), o Itaú chegou a apostar em expansão de 4% no PIB em 2018, mas a crise política murchou as previsões.

O Bradesco acredita que a taxa média de desemprego do IBGE ficará em 13,4% este ano, subindo para 13,5% em 2018. O Itaú é mais pessimista: a taxa média deste ano chegaria a 13,7% e subiria para 14,3% em 2018. Em dezembro de 2017 a taxa estaria em 14% e fecharia em 14,3% em 2018, na visão do Itaú. Vale lembrar que no fim de 2013 (quando a economia ainda estava a pleno vapor) a taxa média de desemprego fechou em 6,8%. Com a recessão iniciada no 2º trimestre de 2014, os índices dispararam.

A disparada do desemprego, de um lado, e o tarifaço dos preços administrados pelo governo, que estavam congelados em 2013 e 2014, por pura manobra eleitoral, de outra parte, tiveram forte impacto na renda das famílias e no consumo. Depois de crescer 3,5% em 2012 e 3,6% em 2013, o consumo privado reduziu o ritmo para 2,3 em 2014 e encolheu 3,9% em 2015 e recordes 4,2% em 2016. Para este ano, o Bradesco prevê leve queda de 0,1%, com expansão de 1% em 2018 (insuficiente para recuperar a violenta perda de renda da maior recessão da história).

Medido em dólares, o tombo na renda per capita foi brutal em relação a 2011, quando a valorização do real diante do dólar trouxe uma falsa euforia aos brasileiros, que tiveram a renda per capita situada em US$ 13.234. Pois no ano passado, com a desvalorização do real, após a reeleição da ex-presidente Dilma, a renda encolheu para US$ 8.721. Ou seja, uma perda de 34,10% no período, anulando todos os ganhos na era Lula (em parte pela valorização do real no período, já que quando Lula foi eleito o dólar deu um salto e chegou a R$ 4 em 28 de outubro de 2002).

Essa forte retração da renda das famílias e do consumo privado, abriu espaço para uma reversão completa nas contas externas. Depois da balança comercial registrar superávits de US$ 30 bilhões no final do governo Lula, depois da crise financeira mundial de 2008 derrubar os preços das commodities (sobretudo minério de ferro e petróleo, no caso do Brasil) e reduzir o ritmo de demanda das principais economias, os saldos foram minguando (US$ 17,4 bilhões em 2012 apenas US$ 0,4 milhões em 2013 até 2014 registra déficit de US$ 6,6 bilhões). Em 2015, a recessão gerou saldo de US$ 17,7 bilhões que triplicou quase a US$ 45 bilhões em 2016. Para este ano, o Bradesco prevê saldo de US$ 62,3 bilhões que aumentaria para US$ 64,3 bilhões em 2018. O Itaú é mais pessimista: prevê superávit de US$ 60 bilhões este ano e queda para US$ 47 bilhões em 2018. O ingresso de investimentos estrangeiros direto seria de US$ 80 bilhões este ano e de US$ 84 bilhões em 2018, prevê o Bradesco.

Como se percebe, para os dois bancos, as contas externas não são problema. O impasse maior da economia brasileira está nas contas públicas, mas as previsões divergem. O Bradesco prevê déficit público primário (sem contar os custos financeiro do endividamento) de R$ 170 bilhões este ano (como prevê o Orçamento Geral da União) e recuo para R$ 124,5 bilhões em 2018. Ou seja, déficits de 2,5% e 1,8% do PIB, com a dívida bruta do setor público alcançando 76% este ano e 81,8% (acima do limite crítico de 80%) em 2018.

Para o Itaú, a diferença viria do maior crescimento esperado pela economia. O déficit primário deste ano corresponderia a 2,4% do Produto Interno Bruto, caindo para 2,1% no ano que vem. E o nível da dívida bruta/PIB evoluiria dos 74,8%, esperados para este ano, para 76,6% em 2018, ainda em limites administráveis.

Tudo seria mais fácil se as reformas da economia tivessem condições de avançar. Abrindo espaço para uma queda substancial das taxas de juros, para alívio das famílias e para estimular o consumo e a retomada dos investimentos, quando a capacidade ociosa começar a cair e for necessário o aumento da produtividade.

 

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