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Volta dos investimentos, a boa nova do PIB

Volta dos investimentos, a boa nova do PIB

Bradesco prevê elevação de 2% na FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo) no 3º trimestre, contribuindo para a alta estimada de 0,2% no Produto Interno Bruto do período

A boa nova do resultado do Produto Interno Bruto do 3º trimestre, que o IBGE anuncia amanhã, será a retomada dos investimentos (medidos pelo conceito de Formação Bruta de Capital Fixo) na economia brasileira, prevê a economista Priscila Trigo, do Departamento Econômico do Bradesco. A queda acumulada em quatro trimestres (12 meses) da FBCF tinha chegado a 15,8% em junho. Embora ainda longe do auge da expansão deste século (17,9% em 2010), o Bradesco prevê elevação de 2% na FBCF no 3º trimestre, contribuindo para a alta estimada de 0,2% no PIB trimestral. No ano, a FBCF ainda seria negativa em 3%, mas indicaria a recuperação para a alta de 6% em 2018.

Com base na sua projeção para o 3º trimestre, o Bradesco estima que o PIB de 2017 terá alta de 0,9%. O Itaú é mais otimista e prevê expansão em torno de 3,5% no PIB trimestral. Já o Banco Central projetou no IBC-Br, que funciona como antecipação aproximada do PIB, alta de 0,58%. Nos dois casos, o Itaú e o BC já trabalham com alta do PIB deste ano acima de 1%. Esse nível de 1%, aliás, foi o primeiro resultado positivo do PIB no 1º trimestre de 2017, puxado pelo desempenho espetacular da agropecuária, que acabou provocando baixa da inflação pela deflação dos alimentos que aliviou os orçamentos familiares.

No 2º trimestre, a indústria e o consumo das famílias sustentaram o crescimento, que se firmou e, apesar da elevada capacidade ociosa da economia, após 30 meses de recessão, levou diversos setores a ampliarem os investimentos, pela necessidade de modernização e retomada da eficiência em ambiente de alta competição e baixa demanda.

Na gestão Dilma, a FBCF, após alta de 17,9% em 2010, influenciada pelo Moderfrota, programa do BNDES de estímulo à troca da frota de caminhões do país com financiamentos elásticos, estendido às máquinas agrícolas, as taxas foram minguando: 6,8% em 2011, 0,8% em 2012 e 5,8% em 2013. Já em 2014, ano da reeleição, houve queda de 4,2% nos investimentos, prenunciando a longa recessão que viria: -13,9% em 2015 e -10,2% em 2016, até a estimativa de -3% em 2017.

Melhora da confiança e do ambiente econômico

Para a economista do Bradesco, o aumento da confiança dos empresários e a melhora do ambiente econômico e das condições financeiras abriram espaço para novos investimentos, apesar da elevada ociosidade da economia brasileira.

Ela cita a maior intenção de investir dos empresários, confirmada pelo aumento do número de investimentos divulgados na imprensa, e também pela pesquisa de intenção de investimentos da FGV. Tudo se completa com as melhores perspectivas em relação à situação atual e às expectativas para os próximos meses nos diversos setores.

O Bradesco realiza, desde 2006, um sistema de acompanhamento dos anúncios de investimento dos diversos setores relatados na imprensa. Priscila Trigo sublinha que, “após quatro anos seguidos de retração, nos primeiros dez meses deste ano foram registrados 590 anúncios, superando os 512 anúncios no mesmo período de 2016. O resultado se acelerou no 2º semestre, com a média mensal passando de 44 anúncios por mês, entre janeiro e junho, para 82 anúncios entre julho e outubro”.

Só no mês de outubro foram registrados 125 novos aportes. A aceleração ocorreu de forma generalizada, com destaque para indústria e comércio, mas também com melhora marginal dos anúncios de investimento no setor de serviços. A economista assinala que os projetos de investimentos estão sendo mais voltados à modernização e ampliação, especialmente em busca de processos mais eficientes.

Nos anos de forte crescimento, os projetos greenfield tinham maior espaço, respondendo por mais 50% do total anunciado. Em alguns anos, chegaram a responder por mais de 70% dos anúncios. Neste 2º semestre esse tipo de projeto responde por menos da metade do total, percentual que vem sendo reduzido desde 2015. Ela credita isso à capacidade ociosa na indústria, cuja produção se limita à 74% da capacidade instalada, bem abaixo dos 85% vigentes nos períodos de elevado crescimento econômico.

Outro indicador importante da trajetória de recuperação iniciada, especialmente a partir de agosto, foi o aumento do consumo doméstico de bens de capital e também dos insumos típicos da construção civil. Isso aponta modernização dos processos de produção e das instalações.

Para Priscila Trigo, a perspectiva de aceleração da economia doméstica favorecerá novos investimentos ao longo dos próximos meses. Por isso, ela projeta crescimento de 1% na FBCF no 4º trimestre, reduzindo a queda do ano para 3,0%. O Bradesco acredita que o aumento de 0,2% no PIB do 3º trimestre terá o empuxo de 1% no consumo das famílias (na margem).

Crescimento do trabalho informal

A LCA Consultores também aposta no crescimento, mas chama a atenção para um ponto interessante que pode frustrar a animação com os dados declinantes dos índices de desemprego. Como divulgou hoje o IBGE, na PNAD Contínua referente ao trimestre agosto-setembro-outubro, o índice de desemprego caiu para 12,2% (o auge foi de 13,7%, no trimestre janeiro-março). Mas a redução de 528 mil pessoas no contingente de desocupados em relação ao trimestre anterior (maio-julho) tem se dado pelo crescimento do trabalho informal, por conta própria, sem carteira assinada (tanto de empregado doméstico como de motorista de Uber, por exemplo).

Em 12 meses, apesar da reação deste ano, o contingente de desempregados ainda aumentou em 698 mil pessoas. O pessoal que perdeu carteira assinada foi ainda maior: 738 mil pessoas ficaram sem amparo das leis trabalhistas, do FGTS e ainda das contribuições (e do amparo) do INSS (por parte de patrão e empregado). Nada menos de 1,2 milhões de pessoas passaram a se virar por conta própria, para garantir uma renda. E é aqui que o alerta da LCA merece atenção.

A consultoria estima que, com a retomada geral da economia, muita gente que hoje está se virando por conta própria vai se esforçar para trocar o regime do trabalho informal pela formalidade com carteira assinada (ainda que sob as flexibilizações da nova Lei Trabalhista). Isso tende a melhorar a arrecadação fiscal como um todo – sobretudo a do INSS – mas vai implicar melhora mais lenta nos indicadores da PNAD Contínua, pois vai apenas trocar de posição quem já estava no mercado de trabalho informal pelo formal, sem criação de novas vagas, efetivamente.

A conferir.

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