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Bradesco prevê nova queda da Selic em fevereiro; Itaú vê bis em março

Bradesco prevê nova queda da Selic em fevereiro; Itaú vê bis em março

Após a decisão de ontem do Copom de cortar a taxa para 7% ao ano, Itaú projeta em 2018 dois ciclos de redução de 0,25 p.p. cada, derrubando juros básicos para 6,50%

No dia seguinte à reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), que reduziu a taxa básica Selic a 7% ao ano – o menor nível histórico, igualando-o pela primeira vez à TJLP do BNDES, que financia os grandes projetos de investimento do país –, os dois maiores bancos privados reagiram ao anúncio do próprio Copom de que haveria “uma nova redução moderada na magnitude de flexibilização monetária na reunião de 6 e 7 de fevereiro”. Bradesco e Itaú apostam numa baixa de 0,25.p.p. (ontem foi de 0,50 p.p.). Mas, enquanto o Bradesco acredita que será a primeira e última mexida de 2018, quando a Selic fecharia em dezembro a 6,75% ao ano, o Itaú vai mais além. 

O maior banco do país, de onde veio o atual presidente do BC, Ilan Goldfajn, espera dois ciclos de redução de 0,25 p.p. (o segundo na rodada de 20 e 21 de março), com o que a taxa fecharia o ano em 6,50%, compatível com as projeções de inflação na faixa de 4%, medida pelo IPCA e com a ressalva do próprio Copom de que as projeções de baixa inflação e o cenário de alta capacidade ociosa e desemprego na economia recomendam a adoção de uma taxa de juros real estrutural mais baixa sem risco de pressão inflacionária. 

Tanto o comunicado do Banco Central, como as análises do Bradesco e do Itaú, no entanto, ressaltam que o ambiente econômico será mais seguro e confortável para o prosseguimento do processo de baixa dos juros - o que deve indicar ainda este mês novas baixas da TJLP. 

O Itaú frisou, por exemplo, que na “ausência de avanços no processo das reformas, em especial a da Previdência” (que é o maior fator de multiplicação do déficit primário, na União, estados e municípios), o ciclo de baixa da Selic se encerraria em 6,75%. Ou seja, se a reforma não avançar, o Itaú retira a aposta de que a Selic cairia para 6,50% em março, permanecendo aí até dezembro de 2018. 

Os departamentos econômicos dos bancos e o próprio Copom se abstiveram de qualquer menção ao processo eleitoral, que começa oficialmente em maio de 2018 mas terá sua preliminar mais relevante no possível julgamento de Lula, em 2ª Instância, pelo Tribunal Federal de Porto Alegre, a quem cabe apreciar as sentenças da Lava-Jato de Curitiba. Turbulências ao longo de 2018 podem mudar o cenário de câmbio e juros, bem como as expectativas dos agentes econômicos, embora o Lula de 2018 não seja mais a incógnita de 2002. 

Produção de carros ainda acelerada 

A Anfavea informou ontem que a produção total de veículos, excluindo máquinas agrícolas, somou 249,1 mil unidades em novembro, o que equivale a um avanço de 4,7% na margem, descontando os efeitos sazonais, calcula o Departamento Econômico do Bradesco. 

As categorias de automóveis, comerciais leves, ônibus e caminhões tiveram altas de 4,4%, 6,8%, 11,0% e 4,7%, respectivamente. As exportações cresceram 8,0% em relação a outubro. Já as vendas ao mercado interno recuaram 2,0% na margem, com quedas em automóveis e comerciais leves, mas seguiram fortes em relação ao mesmo mês do ano passado, com alta de 14,0%. 

Com o movimento de alta, após ligeiro recuo em outubro, os estoques apresentaram um ligeiro aumento de 0,7% na margem. A tendência é a produção se desacelerar em dezembro, quando as fábricas dão férias coletivas. A duração destas férias será um ótimo termômetro para a formação de expectativas para a produção geral de 2017 e 2018, face ao grande efeito multiplicador das atividades das montadoras. 

O Bradesco acredita em estabilidade da atividade industrial em novembro. O Itaú projetava queda de 0,5% em novembro e baixou a projeção para -0,4%. Outro dado animador foi divulgado pela Serasa Experian, com crescimento de 1% nas vendas do varejo em novembro (7,2% sobre novembro de 2016). O Itaú ficou otimista com os indicadores. 

A Petrobras tira o gás da inflação

Mas a melhor notícia para os consumidores veio da Petrobras, que informou hoje ter decidido revisar sua metodologia de reajuste dos preços do gás de cozinha (GLP), após uma disparada nas cotações do produto, que subiram quase 70% nos valores de vendas nas refinarias para os distribuidores desde o início de junho. O Grupo Executivo de Mercado de Preços (GEMP) da empresa concluiu que, embora os preços do GLP praticados no Brasil devam ser referenciados ao mercado internacional, esta metodologia necessita ser revista. 

Óbvio. O Brasil é um país tropical, situado no Hemisfério Sul. Os preços da energia costumam disparar no inverno nos principais países do Hemisfério Norte conforme os estoques e a intensidade do inverno. No Brasil, onde apenas nos estados do Sul ocorrem temperaturas dignas de inverno europeu, o GLP é usado essencialmente na cozinha e no aquecimento de água. 

Atrelar a escalada de preços num país onde o GLP aquece mais de 90% dos fogões (com exceção das cidades onde há redes de gás natural) era um disparate em matéria de política socioeconômica. No governo Lula, para garantir a reeleição, a Petrobras manteve o gás congelado vários meses, processo que se estendeu aos demais combustíveis e virou dogma no governo Dilma, o que arruinou as finanças da Petrobras após a crise mundial de 2008. 

A Petrobras está sendo reconstruída da reina deixada pela gestão Dilma, que presidia seu Conselho de Administração nos dois governos Lula. Mas também não pode passar de 8 a 80, e agora arruinar as finanças das famílias. A Petrobras tem meios de segurar aumentos, sem necessariamente afetar sua rentabilidade. 

Na segunda-feira, a estatal anunciou aumento de 8,9% no GLP vendido para distribuidoras, impulsionando para cerca de 68% a alta acumulada desde o início de junho, tendo dado início a uma política de preços do produto com reajustes mais frequentes, que agora será revista. 

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