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IPCA em 2,80% faz BC torcer por explosão de inflação no mês...

Ilan Goldfajn, presidente do BC Ilan Goldfajn, presidente do BC

Banco Centrou errou por combinar falta de ousadia com a incompetência em prever o impacto benigno da supersafra de alimentos na deflação, em uma economia mal saída da recessão

A que ponto o Banco Central chegou pela combinação de falta de ousadia com a incompetência de seus modelos em prever o impacto benigno da supersafra de alimentos na deflação, em uma economia mal saída da recessão. Com o índice surpreendente baixo do IPCA de novembro (0,28%, aquém das previsões de 0,35% do mercado), só resta uma hipótese para o presidente do BC, Ilan Goldfajn, não ser obrigado a escrever uma carta ao Ministério da Fazenda para explicar por que a taxa do IPCA de 2017 ficou abaixo do piso (3%) da meta de inflação (4,5%).

Será preciso uma avalanche de altas de preços de combustíveis e de energia este mês (a Petrobrás deu uma trégua na escalada do GLP) e um surto especulativo com os alimentos das ceias de Natal e de Ano Novo. É que o IPCA de dezembro de 2016 foi de 0,30%. Para haver um repique na taxa anual da inflação – que ficou em 2,80% em novembro, segundo divulgou hoje o IBGE – a ponto de superar o piso mínimo, é necessário que o IPCA do mês passe de 0,495%. Melhor seria bater a faixa de 0,50%...

Em meus 45 anos e picos de jornalismo econômico, nunca vi isso: a diretoria do Banco Central – cujos oito membros, incluindo o presidente, integram o Comitê de Política Monetária que analisa, a cada 45 dias, a conjuntura econômica e tenta antecipar, via política monetária de regulação da oferta de moeda e, especialmente, o nível das taxas de juros, a trajetória da produção e da inflação nos próximos seis a nove meses (com ênfase na taxa do IPCA) – “torcer” por mais inflação...

O Copom tem usado nos seus últimos comunicados a retórica de uma “surpresa benigna dos efeitos deflacionários da supersafra de alimentos”. De fato, pelo sétimo mês seguido os alimentos ficaram mais baratos (0,72% em novembro) e contribuíram para reduzir a inflação, que caiu de 0,42%, em outubro para 0,28%, em novembro.

Os destaques de baixa nos alimentos foram: açúcar refinado (-4,93%), farinha de mandioca (-4,78%), tomate (-4,64%), frutas (-2,09%), pão francês (-0,55%), carnes (-0,11), feijão carioca (-8,40%) e ovos (-3,28%). Dos 16 subgrupos de alimentos, 13 apresentaram redução de preços e apenas três tiveram alta: pescado (0,29%), óleos e gorduras (0,45%) e hortaliças (1,65%). O item Alimentos e bebidas caiu 0,38%.

No ano, a queda dos alimentos (que responde por 25% dos gastos das famílias com renda até 40 salários mínimos no IPCA) alcança -2,40%. No ano passado, já com os efeitos da supersafra começando a derrubar os preços dos grãos (sobretudo arroz e feijão e a dupla milho e soja, fundamental à produção de rações animais, que impacta a cadeia alimentar de aves, suínos e o gado leiteiro, jogando para baixo os preços das carnes de aves e suínos, ovos e laticínios em geral), a taxa acumulada declinou para 8,62%, contra 12,03% em 2015. Só o BC não percebeu que deveria ter cortado mais a taxa Selic além dos dois modestos 0,25 p.p. de outubro e novembro.

Partindo de um patamar de 14%, o processo de baixa da Selic em 2017 teve de ser acelerado para tentar acompanhar a velocidade de queda do IPCA. Não fossem os produtos monitorados (energia elétrica, combustíveis e planos de saúde), a inflação acumulada estaria aquém de 2,50%.

A única desculpa do BC pode se relacionar ao impacto da divulgação (em 17 de maio) das conversas gravadas no desastroso encontro do presidente Temer com o empresário Joesley Batista (grupo JBS) nos porões do Palácio Jaburu, em 7 de março. Até ali, o mercado acreditava que era possível o BC acelerar o ritmo para queda extra de 1,25 p.p. a 1,50 p.p. Com a crise, o BC pediu mesa e manteve o ritmo anterior de 1,00 p.p, baixando a Selic para 11,25%.

Em novembro, além dos Alimentos e Bebidas só os Artigos de residência estiveram em queda. Nos demais itens os, destaques foram Habitação (1,27% e 0,20 p.p. de impacto no índice do mês), e Transportes (0,52% e 0,09 p.p.).

Leniência com os os oligopólios bancários

É claro que o Banco Central tem de pensar a mais longo prazo. E a falha de 2017 seria até desculpável se a manutenção dos juros em níveis tão elevados – e sobretudo a leniência para com os oligopólios bancários, que parecem alheios tanto à baixa da inflação quanto à redução da Selic para 7%, que é o piso de captação pelo sistema financeiro – estivesse ligada à preocupação com repiques inflacionários. Mas o próprio Copom não vê risco nos próximos seis meses (apenas com derrota na reforma da Previdência, cuja votação pode avançar para o 1º trimestre de 2018).

O site do Banco Central traz hoje dados de juros bancários na semana de 20 a 24 de novembro. Com a inflação anual em 2,8%, os bancos cobravam de trabalhadores de empresas privadas juros de 18% ao ano no crédito consignado (Banco Safra) a 938% ao ano no Facta – a Crefisa ficou com a 3ª taxa mais alta: 702% ao ano. O BB cobrava 57%, o Santander, 66%, o Itaú, 73%, a CEF, 77% e o Bradesco, 89%. A inflação despenca. Os juros caem no Copom. Nos bancos, descem vagarosamente pela escada.

O comportamento do Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), divulgado hoje pelo IBGE apresentou sinais de alerta. A taxa de 0,67% foi a maior alta mensal de materiais em 2017 (o índice é composto ainda pelo custo da mão de obra).

Em novembro houve forte aumento das encomendas de máquinas pelo segmento da construção civil, prenunciando a retomada do setor. O índice Sinapi para materiais acumula alta de 3,64% no ano e 4,15% em 12 meses. Os maiores aumentos foram no segmento de barras de aço, material essencial no setor.

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