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Lindberg quer mudar os culpados pela recessão

Lindberg quer mudar os culpados pela recessão

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), muito ligado a Lula, quer mudar a história, culpando medidas em curso por fatos passados.

Em entrevista ao Valor Econômico, o senador insiste na tese de que as medidas do ajuste fiscal estão levando a economia à recessão e ao desemprego. É a primeira vez que vejo medidas econômicas que nem entraram em vigor (a maior parte das providências do ajuste fiscal, ainda falta ser votada no Senado) já produzirem efeito devastador. Medidas de política monetária ou de política fiscal costumam gerar efeitos após seis a nove meses. Como estamos no quinto mês de 2015, nada feito este ano foi responsável pelo difícil momento atual. A disparada da inflação e a recessão decorrem do fim do represamento dos preços administrados pelo governo (congelados em 2013 e 2014 para turbinar a reeleição de Dilma Rousseff) e dos desastres na Petrobras.

O governo segurou o quanto pode os reajustes dos preços públicos, só os liberando após o segundo turno (energia elétrica e combustíveis). Em fevereiro de 2014, no acumulado de 12 meses, a alta dos preços públicos era só de 3,71% e em fevereiro de 2015, o índice anual era de 9,66%. Sabendo que a inflação ia disparar, o Banco Central começou a subir os juros em 0,25 pontos percentuais na reunião do Copom após o segundo turno e não parou mais: os juros já estão em 13,25% ao ano e devem ir a 13,75% na reunião do Copom em junho. Por sinal, 13,75%, é a previsão dos economistas para a alta de preços administrados pelo governo (gasolina, diesel, GLP, tarifa de energia, telecomunicações, planos de saúde, remédios, passagens de ônibus, trens e metrô, pedágios). Os preços públicos ficaram abaixo da inflação (5,32% contra 6,41% para o IPCA), puxarão a alta geral este ano (13,75%, para IPCA de 8,37%) e voltam a ficar no nível da taxa geral do IPCA em 2016 (5,71% contra 5,50% para o IPCA).

O nível de desemprego, muito forte na indústria, atinge os setores de bens de consumo duráveis (automóveis e móveis e eletrodomésticos), cuja redução do IPI, para turbinar a economia no primeiro governo Dilma, começou a ser eliminado em agosto de 2014, na gestão Guido Mantega, porque o país já acusava enorme rombo nas contas públicas (arrecadação baixa e gastos correntes acelerados). Mas a onda de desemprego decorre, sobretudo, dos desastres promovidos pelo PT à frente da Petrobras e da política de exploração do petróleo e ampliação do parque de refino da Petrobras no Brasil e no exterior. As descobertas da Lava Jato poderiam demorar a vir à tona, mas os problemas que levaram a estatal ao maior prejuízo da história já estavam contratados. E isso tinha a ver com o cenário de delírio projetado para os preços do barril de petróleo até a próxima década, quando a EPE (Empresa de Pesquisa Energética do Ministério de Minas e Energia) estimava o preço do barril em US$ 400 em 2020, após oscilar entre 140/200 no começo desta década. O barril está em US$ 60, esteve a menos de US$ 50 no último trimestre de 2014 e desde o pico de US$ 146, em julho de 2008, jamais superou metade daquele valor após o estouro da bolha de Wall Street, em agosto de 2008.

Então vem agora o senador Lindbergh vender a versão de que é o ajuste fiscal que está levando a economia pro buraco! A sugestão, do seu guru, o ex-presidente Lula, não cola. A economia já estava indo pro buraco em todas as dimensões. Para que a deterioração dos fundamentos não se agravasse e o país corresse o risco de perder o grau de investimento (já perdidos por Petrobras e Eletrobrás) é que está sendo feito o ajuste fiscal. Que mal começou. Se o Senado aprovar, as medidas precisam esperar 90 dias para entrar em vigor, em fins de setembro-outubro. E o efeito só no 1º semestre de 2016.

Outro dado que desmente a catilinária do senador: a balança comercial e o balanço de pagamentos em conta corrente (balanço comercial + serviços, incluindo rendas e juros) se deterioram há três anos. Em 2012 o saldo comercial foi de US$ 19,2 bilhões (US$ 40 bilhões de 2007), baixou para US$ 2,2 bilhões em 2013 e virou déficit de US$ 4,03 bilhões em 2014. Para este ano, a projeção é de um saldo de US$ 3 bilhões, mas de janeiro a abril há um déficit de US$ 5 bilhões. E o rombo em conta corrente é estimado em US$ 84,8 bilhões. O ingresso de capital estrangeiro para cobrir o rombo (incluindo o que especula com os juros altos dos papéis da dívida pública) ficaria em US$ 65 bilhões (faltam 23%). A crise externa bate à porta.

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