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Gilberto Menezes Côrtes

Gilberto Menezes Côrtes

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Reeleita, Dilma deixa 2,17 milhões sem emprego

Menos de um ano após ser reeleita, a presidente Dilma, que brandia, a seu favor, o fato de que a taxa de desemprego no Brasil era de 6,9% no trimestre encerrado em junho do ano passado, segundo os dados da PNAD contínua do IBGE disponíveis até a véspera do 1º turno, a presidente Dilma encara uma taxa de desemprego, segundo a pesquisa feita pelo IBGE em 3.500 municípios.

Mercado nervoso: PIB despenca e dólar dispara

Foi uma quinta-feira nervosa, que começou com más notícias vindas do próprio Banco Central, que divulgou às 8:30 o Relatório de Inflação do 3º Trimestre, com previsão de queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,7% em 2015 (-1,1% em junho, o que comprova a forte deterioração das expectativas) e a previsão de que em junho de 2016, o PIB estaria em queda de 2,2% na taxa acumulada de 12 meses.

Taxa de câmbio e o outro lado da moeda

A escalada do dólar diante do real, que chegou a aumentar 26% desde 10 de maio até a última sexta-feira, quando fechou acima de R$ 3,80, com desvalorização de pouco mais de 20,5% para o real, está ajustando as contas externas, com o superávit de US$ 554 milhões na 1ª semana de setembro elevando para US$ 7,86 bilhões o saldo comercial acumulado no ano (no mesmo período de 2014 havia déficit de US$ 570 milhões). Na 1ª semana de setembro, a média diária das exportações caiu 11,2% em relação a 2014, mas a queda das importações atingiu 30,1%.  

É certo que a queda de 73,4% nas importações de petróleo em relação ao mesmo período do ano passado e de 11% em relação a agosto tem contribuído para a melhora sensível da balança comercial. Mas já se percebe a reação de dois importantes componentes da balança comercial ao novo patamar do câmbio. Embora as intervenções do Banco Central ontem no mercado, com o lançamento de mais US$ 2,4 bilhões em swaps cambiais para vencimento em novembro e dezembro, tenha freado a escalada, com recuo ontem e hoje, quando o dólar iniciou a tarde negociado abaixo de R$ 3,78, o comportamento da China está influenciando de forma nítida a balança comercial. 

Pressionada pelas compras chinesas, que aumentaram em volume, mas com patamares menores de preço, as vendas de soja tiveram aumento de 30% comparadas a 2014, e de 19% sobre agosto. Já as exportações de carne tiveram aumento de 10,3% na comparação anual e de 15% no mês, indicando que os recentes acordos para exportação de carne in natura para os EUA, China, Rússia e Japão começam a produzir resultados. Mesmo com problemas, os países precisam de alimentos para saciar a população. Em movimento inverso, refletindo a desaceleração da produção industrial e do ritmo dos grandes investimentos na China, as vendas externas de minérios recuaram 41% na comparação anual, mas com reação de 5% no mês. 

Entretanto, como em economia há sempre o outro lado da moeda, as pressões da escalada do dólar começam a ser registradas nos indicadores de preços, sobretudo os do atacado e podem impactar os preços no varejo do último trimestre. A aceleração dos preços na primeira prévia do IGP-M de setembro refletiu maior pressão dos preços ao produtor e ao consumidor, com alta de 0,56%, contra 0,10% na 1ª prévia do mês anterior. A aceleração foi mais acentuada nos preços ao produtor, que saíram de uma deflação de 0,06% para uma alta de 0,75%. E o principal responsável pela disparada foi o índice de preço por atacado (IPA) agrícola, que saiu de uma deflação de 0,87% para uma alta de 0,89% (o mercado esperava entre 0,83% e 0,86). E o IPA industrial exibiu variação de 0,70%, sucedendo avanço de 0,25% no mês anterior. O mercado esperava entre 0,56% e 0,60%. 

Numa prova de que o movimento começa a se transferir para o varejo, no mesmo sentido, a prévia da inflação ao consumidor subiu de 0,14% em agosto para 0,25% em setembro (uma escalada que pode ser mais intensa ao longo de setembro e outubro). Por fim, o índice nacional de construção civil (INCC) desacelerou de uma alta de 0,94% para 0,09% na mesma base de comparação. As próximas leituras dos IGPs deverão continuar a trajetória de aceleração, refletindo a maior pressão da desvalorização cambial nos preços agrícolas, já que costuma haver ajuste parcial nas cotações externas e internas. Por isso, o Banco Central está atuando no câmbio para não ter de voltar atrás na disposição de não aumentar os juros. Amanhã veremos o impacto do câmbio no IPCA de agosto, a ser divulgado pelo IBGE. 

Parte da pressão sobre o dólar vinha do temor de um aumento imediato (em 17 de setembro) das taxas de juros dos Estados Unidos. Mas dois importantes alertas feitos esta semana pelo FMI e pelo Banco Mundial reforçaram as vozes contrárias à elevação dos juros pelo Fed, o Banco Central dos EUA, e mudaram a dinâmica dos mercados. A Bolsa de Tóquio teve alta expressiva de 7,7%, seguida pelas demais bolsas asiáticas e europeias, em menor intensidade. 

Essa ansiedade quanto à retirada do longo período de estímulos monetários – iniciado em agosto de 2008, logo em seguida à crise financeira mundial – tem provocado no ambiente internacional uma piora na turbulência dos mercados na Ásia e na receptividade aos ativos de economias emergentes – a queda dos preços das commodities completa um quadro desfavorável. No Brasil, os ingredientes Made in Brazil aumentam as turbulências: a deterioração do cenário político é inclemente e os indicadores fiscais pioram sem parar. As perspectivas para a política fiscal e o quadro de governabilidade compõem um circulo vicioso que justifica a alta do risco Brasil bem além do aumento do risco médio dos emergentes. 

Mas, embora continuem no horizonte as pressões altistas do dólar, parece evidente que, assim como os mercados de ações e de commodities em todo o mundo andaram fortemente alavancados neste longo período de juros módicos e farra monetária nos mercados desenvolvidos, nos emergentes os efeitos foram semelhantes. Descontando o fato de que o real ficou artificialmente valorizado devido ao calendário eleitoral de 2014, sua queda em 2015 excede um pouco a lógica e denuncia forte movimento especulativo contra a moeda brasileira, tanto por parte de investidores domésticos quanto por estrangeiros, na conta da forte possibilidade de perda do grau de investimento em 2016, devido à deterioração do quadro fiscal. 

Os valores negociados na BM&F Bovespa indicam forte pressão especulativa, só abrandada quando o Banco Central ampliou a oferta de swaps cambiais, posição renovada nesta terça-feira para vencimento em novembro e dezembro. A LCA Consultores acha exagerada a da alta do câmbio. Para tanto, fez um exercício atualizando o tracker para a relação real/dólar para cobrir os últimos 252 dias úteis, que “a explica em função da taxa de retorno das Letras do Tesouro dos EUA de 10 anos, dos preços das commodities (CRB), do valor do dólar no mercado internacional (medido pelo Dollar Index – DXY) e pelo EMBI+ Brasil”. No modelo, a taxa real do dólar deveria estar em torno de R$ 3,473, mas chegou a R$ 3,807 sexta-feira (4 de setembro). Para os analistas da LCA, “por mais que o modelo admita a alta da taxa de câmbio, esta não haveria de ser tão grande”. O gap de mais de 30 centavos entre o valor observado e o previsto pelo modelo “sugere claro exagero na reação do mercado de câmbio à deterioração do cenário”, diz a LCA. 

Eu acrescento que a discussão em torno da ideia de vender parte das reservas para conter a alta do dólar – aparentemente racional – faz parte da queda de braços entre comprados e vendidos no mercado de câmbio. Da forma como as reservas vêm sendo mantidas (não pela via saudável do aumento do saldo comercial, mas pela captação de investimentos diretos em papéis da dívida interna – que já têm os estrangeiros como tomadores de uma fatia de 20%, atraídos pelos altos juros dos papéis do Tesouro Nacional), manter as reservas intocadas seria um erro semelhante ao do cliente que não saca da caderneta de poupança (cujo rendimento vem perdendo para a inflação) e se endivida a juros escorchantes no cartão de crédito ou no cheque especial. 

Tudo isso é pesado estrategicamente pelo BC. Seus dirigentes sabem: quanto mais reservas o BC tiver, mais força terá para conter especulações. O contrário implica menor poder e fraqueza. Ou o que os especuladores desejam para apostar contra a banca no duro ano de 2016. Em agosto, o BC, aparentemente, saiu ganhando, pois os bancos reduziram em US$ 4,094 bilhões (para US$ 17,595 bilhões) a posição vendida no câmbio. Dados do BC sobre o movimento de câmbio até 4 de setembro revelam que após o resultado positivo de US$ 4,111 bilhões no fluxo cambial de agosto (US$ 1,989 bilhão nas operações comerciais e US$ 2.122 bilhões nas operações financeiras - a primeira positiva após déficit de US$ 21,565 bilhões acumulado em maio, junho e julho) voltou a pressão no financeiro. 

Nos quatro primeiros dias do mês, o saldo do fluxo das operações financeiras era negativo em US$ 255 milhões, mas o saldo de US$ 598 milhões nas operações comerciais garantiu fluxo positivo de US$ 343 milhões no mês. No ano, apesar do fluxo financeiro negativo em US$ 5,221 bilhões, o comercial, positivo em US$ 16,840 bilhões, garantiu saldo final de US$ 11,619 bilhões. No mesmo período de setembro de 2014, o saldo final (comercial e financeiro) estava negativo em US$ 1,694 bilhão, e no acumulado do ano de 2014 o déficit era de US$ 2,394 bilhões. Em um ano, houve uma inversão positiva de US$ 14 bilhões.

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