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Área de TI do Banco do Brasil avança em várias frentes

Gustavo do Vale, vice-presidente de TI do Banco do Brasil Gustavo do Vale, vice-presidente de TI do Banco do Brasil Foto: José Amaral

Reforçando o processo de transformação digital em curso na instituição, projetos contemplam infraestrutura de processamento, metodologias ágeis, canais de atendimento, Inteligência Artificial/Analytics, apoio a Fintechs e Open Banking.

Nas mais diversificadas frentes, desde a infraestrutura básica até o desenho de aplicativos específicos, o Banco do Brasil segue investindo e colocando em marcha uma multiplicidade de projetos na área de TI. O processo de transformação digital avança na instituição, passo mais do que necessário diante das novas demandas dos clientes e do cenário de competição renhida no mercado financeiro.

Em que pesem as dificuldades ligadas ao momento econômico adverso vivido pelo País, o BB tem apresentado resultados satisfatórios, na medida em que o retorno sobre o patrimônio cresceu em relação aos últimos anos. Este quadro geral tem possibilitado sustentar consistentemente o upgrade tecnológico da organização.

“Os recursos destinados à tecnologia são suficientes para atender as nossas necessidades, tanto na infraestrutura quanto no desenvolvimento. Estamos no mesmo patamar dos nossos concorrentes do ponto de vista tecnológico. Não ficamos devendo nada a ninguém”, afiança Gustavo do Vale, vice-presidente de TI do Banco do Brasil e ganhador do Prêmio efinance na categoria CIO do Ano, em entrevista para Executivos Financeiros.

De imediato, a estrutura básica instalada se beneficia dos grandes investimentos feitos já há alguns anos, dando conta dos requisitos que surgiram ao longo do tempo e antecipando as demandas futuras. “Não precisamos então construir coisas novas nesta área, mas apenas nos adequarmos à realidade”, nota ele.

Os data centers da instituição, sobretudo o principal deles, têm vida útil até 2022. E a central de processamento de reserva já está de pé há alguns anos. A partir de 2020, será levado a cabo um programa de readequação das instalações, o que vai requerer novos recursos financeiros.

O investimento fixo, somente em infraestrutura (excluindo-se pessoal, desenvolvimento, novas tecnologias, entre outros itens), esteve na faixa de R$ 1,3 bilhão no ano passado, montante que deverá repetir-se neste ano. Calcula-se, conforme o entrevistado, uma soma de cerca de R$ 2 bilhões em 2020 para repaginar o data center.

Existe a possibilidade, ainda em exame, de se empreender uma Parceria Público-Privada (PPP) com este propósito, estratégia que já tinha sido adotada no site da Cidade Digital, para reduzir as necessidades de investimentos do banco. Para planejar as próximas etapas, foi criado um grupo de estudos que começou a atuar em setembro último, devendo concluir os trabalhos em setembro de 2019.

Seja como for, de acordo com relatórios mais recentes, o BB desfruta de folga na capacidade de processamento, mesmo nos horários de pico. Foram substituídos oito mainframes nos últimos meses, com a aquisição de equipamentos dotados de tecnologia mais moderna e capacidade expressivamente maior. Está prevista a troca de mais quatro máquinas na plataforma alta.

Um fator que favorece a TI, conforme Gustavo do Vale, é a tendência de estabilização dos valores dos investimentos, e isso em razão dos índices de inflação que estão se enquadrando na meta fixada pelo BC, de 4,5%. “Além disso, o cenário de crise econômica contém a pressão por aumento dos preços praticados pelos nossos fornecedores. E as novas tecnologias estão aparecendo com um custo bem mais acessível do que as antigas, o que faz com que nossos gastos não subam, de modo compatível com a realidade do mercado”, assinala.

Modernização das operações

Em meio a esta conjuntura mais propícia, o BB tem logrado avançar nos processos de modernização operacional e de transformação digital, que, segundo ressalta o entrevistado, procuram dar uma resposta a um fenômeno concreto: a virada na mentalidade dos clientes, que já têm consciência de seu empoderamento e exigem muito mais.

“No passado, as pessoas procuravam os bancos porque precisavam deles. Hoje é o contrário, os bancos é que procuram os bons clientes e têm muita dificuldade em mantê-los, na medida em que eles podem trocar de instituição com um simples toque no celular”, compara ele.

Confrontado com este desafio, o BB tem caminhado no sentido de mudar a cultura interna, instaurando novas formas de trabalho. “No dia a dia, usamos métodos para identificar o que os correntistas estão querendo. E isso só pode ser feito quando nossos analistas atuam junto com as áreas de negócios para oferecer os melhores produtos”, observa Vale.

A instituição, em linha com a tendência geral do mercado, decidiu abraçar as metodologias ágeis e o DevOps, implantando um novo modus operandi no desenvolvimento. Estas novas abordagens conferem maior celeridade ao permitir que os produtos sejam testados, corrigidos e utilizados na medida em que estão sendo desenhados.

“Não é preciso que tudo fique pronto. O conhecimento do negócio, que não é inerente à área de TI, está tendo uma influência muito grande dentro dos próprios processos tecnológicos. As salas ágeis são voltadas para o trabalho em equipe, juntando as pessoas de TI e de negócios. Não há mais como agir de maneira estanque como no passado, onde o gestor pedia uma solução, a TI desenvolvia e só depois ela era colocada em prática”, explica o vice-presidente.

Em face dos bons resultados auferidos, a meta doravante é fazer com que esta inovação metodológica se dissemine por toda a Diretoria de Tecnologia (Ditec) do BB. “Acredito piamente no sucesso desta forma de trabalhar. Do ponto de vista estratégico, o conselho diretor do banco está muito satisfeito com os retornos”, informa ele.

No desenvolvimento visando especificamente o público conectado, o BB desencadeou uma forte expansão dos canais de atendimento digitais. Hoje, por exemplo, há um contingente de cerca de 15 milhões de clientes que utilizam o seu app. Neste universo, aproximadamente três milhões de usuários empregam exclusivamente o Mobile banking, sem nunca ter colocado os pés em uma agência. E o BB se esforça para que este número aumente, até pelo custo operacional bem mais reduzido.

O banco vai lançar em breve a versão 3.0 do seu aplicativo móvel, mais intuitiva e amigável, que Gustavo do Vale julga ser a melhor do mercado. A nova versão encontra-se em piloto, instalada nos celulares de todos os funcionários do BB e de cerca de dois mil clientes convidados, que avaliam a solução e dão sugestões de melhorias. Uma ferramenta hoje separada mas que será integrada a este aplicativo é um gerenciador financeiro.

Plataforma do banco no celular

Também em fase de piloto em algumas agências, foram desenvolvidos recursos que permitem que o gerente, ao visitar um correntista, carregue a plataforma do banco em seu celular, dando pleno suporte a qualquer proposta de negócio.

Outro benefício é o reconhecimento de imagens, tecnologia que possibilita ao usuário abrir uma conta sem apresentar nenhum documento físico, veiculando pelo celular somente imagens da CNH, do RG, do comprovante de endereço, etc. O sistema compara estas informações com as contidas em outros bancos de dados, atestando a autenticidade da documentação.

A utilização de todas estas facilidades, enfatiza o entrevistado, requer um processo de educação e de mudança cultural: “Nossos gerentes estão sendo preparados para treinar os clientes a usar cada vez mais a Internet, o mobile e outras plataformas digitais, acompanhando de resto a própria evolução do mundo e das gerações. Hoje os jovens pensam que o celular sempre existiu, tamanha a integração da tecnologia à vida cotidiana”.

Na retaguarda e na gestão das interações com os públicos alvos, prossegue o vice-presidente, as tecnologias de Inteligência Artificial, de Machine Learning e de Analytics desempenham papel crucial no conhecimento dos perfis, dos hábitos, dos padrões de consumo e dos comportamentos dos correntistas. Assim, torna-se possível prestar-lhes um atendimento pró-ativo e personalizado, em sintonia com suas necessidades.

Um cliente, por exemplo, pode ter padrões de consumo similares ao de um outro, fato que é detectado pela inteligência analítica do banco, a qual então pode preparar uma oferta semelhante para ambos, ganhando-se tempo nas operações. E um chatbot pode realizar simulações de investimentos de acordo com o momento de vida da pessoa, procedimento bem diferente dos simuladores tradicionais.

A preditividade na gestão de riscos se faz presente quando o sistema de Analytics/IA identifica se um determinado correntista manifesta propensão a migrar para uma Fintech ou para uma outra corretora. Neste caso, são desencadeadas ações assertivas junto a ele para persuadi-lo a permanecer no banco.

Ferramentas de Inteligência Artificial são usadas igualmente nas interações pelas redes sociais, que por sinal subiram mais de 70%, com bots já disponíveis no Facebook, no WhatsApp e no Twitter.

Além disso, buscou-se conceber uma plataforma que dê flexibilidade para o usuário efetuar transações onde quiser. Compreendeu-se que era preciso suportar o atendimento por meio de diversos canais, próprios ou não, mantendo-se as pessoas plugadas, direta ou indiretamente, na plataforma do banco. “São conceitos de múltiplos canais em que a instituição sai do tradicional e vai para o mundo. A Amazon fez isso com muita felicidade. E os chineses estão chegando com força total”, constata Vale.

Estratégia para o Open Banking

Dando mais um passo na direção da plena conectividade, dentro do conceito de Open Banking, o BB oferece APIs em sua plataforma para todas as necessidades, permitindo que outras empresas e desenvolvedores façam parcerias com ele, compartilhando informações em outras redes: “Hoje somos considerados líderes na iniciativa de Open Banking no Brasil. No mês passado, por exemplo, lançamos a contratação de crédito consignado online via API, sem o contratante precisar assinar papel e comparecer a agências”.

Esta abertura para o mercado, contudo, está se dando com absoluta segurança, sublinha o entrevistado, aplicando-se políticas extremamente rígidas neste domínio: “Estamos agindo absolutamente de acordo com a lei. Todas as nossas APIs, todas as nossas possibilidades de abertura do sistema, em nenhum momento colocam em risco os dados dos clientes”.

Um case de garantia de confidencialidade dos dados, ilustra ele, vem do suporte a transações pelo WhatsApp. Se um usuário usa a rede social para fazer uma transferência de dinheiro, recebe instruções de um robô sem entrar no sistema do banco. O WhatsApp, portanto, não tem acesso direto, mas interage com um software do BB que executa a operação e comunica o resultado ao cliente. “Houve aqui um esforço impressionante para não expor dados numa mídia que é utilizada por milhões e milhões de pessoas”, comenta o vice.

Outra providência que reforça a governança de dados aplicou-se à área de cloud computing. “Hoje trabalhamos em nuvem privada e não ainda em nuvem pública. Em nenhum momento vamos empregar nuvens com dados de correntistas. O que queremos colocar em cloud são transações que não envolvam sigilo bancário”.

Entretanto, na opinião no entrevistado, as nuvens computacionais chegaram para ficar e devem ser adotadas com frequência crescente em razão dos custos muito inferiores aos das soluções on-premises: “Cada vez mais aumentam os volumes de informações e é impossível manter tudo isso dentro de uma base de dados. Isso só poderá ser feito em grandes nuvens homologadas, atualmente mantidas por data centers de porte, que podem executar esta tarefa. É só uma questão de tempo para que possamos usar mais intensivamente a cloud”.

Qualquer que seja a estratégia ou tecnologia empregadas, o vice-presidente frisa que a segurança da informação seguirá fortalecida. “Temos certeza de que os dados dos clientes serão preservados de todas as formas possíveis e imagináveis. Não temos nenhum indício de fraude no processo e posso garantir que, sob a óptica da segurança, estamos muito avançados”, reafirma.

Sede do LABBS em Brasília

BANCO ESTRUTURA POLÍTICAS DE APOIO À INOVAÇÃO

Os ventos de renovação no Banco do Brasil provêm também de outra fonte: as Fintechs, como não poderia deixar de ser. Elas irromperam no mercado com arrojo, agilidade e inventividade, forçando os grandes players das finanças a traçar políticas para assimilar o que de melhor estas startups estão trazendo, seja no plano da tecnologia, seja no terreno da mudança cultural. O BB, da mesma forma que seus concorrentes, vem estruturando políticas centradas na inovação aberta e no intraempreendedorismo.

“Incorporar a cultura das Fintechs é um desafio enorme, pois não temos a agilidade delas. As startups têm imensa capacidade de desenvolvimento e inovação. Não têm medo de errar e isso é impressionante. E elas desfrutam da vantagem de poderem focar em uma direção e chegar lá, ao passo que nós temos vários horizontes para pensar ao mesmo tempo. É uma cultura absolutamente nova que estamos absorvendo”, situa Gustavo do Vale, vice-presidente de tecnologia do banco.

Foi assim que o BB levou adiante iniciativas específicas, voltadas para este universo de microempreendedores. Já em 2016, a instituição havia inaugurado, pioneiramente entre os bancos brasileiros, o Laboratório Avançado Banco do Brasil (LABB) no mítico Vale do Silício, nos EUA, com a missão de criar projetos próprios e de entrar em contato com a cultura digital inovadora da região. O LABB está abrigado na Plug And Play, aceleradora de atuação global, dividindo espaço com startups de diferentes países. Também como parte desta empreitada, o BB se tornou parceiro no ecossistema de Fintechs da Plug.

Paralelamente, foi lançado oficialmente, no começo do ano passado (embora já estivesse em funcionamento desde o início de 2016), o LABBS de Brasília, ambiente de coworking e também um pólo desenvolvedor de projetos, alguns dos quais, por sinal, já foram incorporados ao portfólio de serviços e produtos do banco, como a Conta Fácil (abertura de conta corrente pelo celular).

Em janeiro de 2018, foi inaugurada uma extensão do Laboratório para o Edifício Banco do Brasil, igualmente em Brasília, onde são recebidas equipes que já estão em aceleração. Nestes postos avançados, que operam com times multidisciplinares sob o figurino das metodologias ágeis, são pensadas novas experiências para os clientes e novos modelos de negócios.

Ademais, revela o vice-presidente, o banco está viabilizando um projeto similar ao do Cubo em São Paulo (hub mantido pelo Itaú em conjunto com a Redpoint Ventures). A iniciativa já foi aprovada internamente e está sendo tocada pela área de negócios digitais, devendo ser implantada até o final do ano.

Ao mesmo tempo, o banco está celebrando parcerias com diversas startups, atento ao que de melhor está sendo produzido por elas: “São concorrentes importantes, que não podem ser subestimadas, mas nada impede que nos aliemos a elas. Como aliás fizeram os bancos digitais, que não deixaram de ser startups e utilizam várias delas no seu trabalho”.

Avaliação do cenário competitivo

Examinando mais de perto o cenário competitivo, o entrevistado pondera que as startups ainda não estão incomodando no mercado de crédito. Isto se deve, segundo ele, à legislação, que é extremamente rígida: “Uma Fintech tem que ter requisitos de capital mínimo para captar recursos e depois emprestar. Não é qualquer uma que pode virar uma empresa de crédito”. Sem contar que a procura por dinheiro está travada em razão da crise econômica.

Em contrapartida, no campo da corretagem de investimentos, as entrantes exibem expressivo poder de fogo. “Há grandes corretoras que começaram como Fintechs e agora mostram forte capacidade de relacionamento e de assessoria. Do ponto de vista dos investimentos, da captação de recursos, estas Fintechs sem dúvida nenhuma preocupam. Estamos realizando todo um trabalho para reter nossos clientes”, reconhece Vale. A própria redução de tarifas nas aplicações do Tesouro Direto e nos fundos, afirma ele, é resultado da chegada ao mercado destas startups.

De seu lado, como muitas vezes se especula, as chamadas Big Techs – gigantes tecnológicas como Google, Facebook e Amazon, entre outras – têm potencial para sacudir a indústria financeira, dado o poderio de mercado de que desfrutam. Porém, Gustavo do Vale crê que, no Brasil, elas não devem ingressar no segmento de crédito, mas sim no de meios de pagamentos.

“Essas empresas possuem uma agilidade fantástica, uma capacidade de processamento enorme. Vimos isso acontecer nos EUA e na China. Sem dúvida, seriam concorrentes de peso se resolvessem entrar na área de pagamentos no Brasil. Mas ainda não estamos vendo movimentos nesse sentido. No setor de crédito, não acredito que elas atuem. Mas, se quiserem fazer isso, vão ser grandes competidoras também”, analisa.

De qualquer forma, um ponto a favor das instituições tradicionais no Brasil, destaca o executivo, é a capilaridade territorial alcançada por elas: “Temos que olhar o país como um todo, não podemos pensar exclusivamente em São Paulo, no Rio ou em Brasília. A parte digital é sem dúvida um componente do banco do futuro, mas ainda temos 70% da população que não é digital. Há dificuldade em alguns locais até para se ter Internet”.

 

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