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Governança: essencial para o crescimento e liquidez da empresa

Eduardo Shakir Carone é sócio-diretor da Nexto Investimento. Eduardo Shakir Carone é sócio-diretor da Nexto Investimento.

Quase todo empresário se depara com os mesmos dilemas e dificuldades quando os assuntos são crescimento e liquidez.

Até certo porte, é fácil levar a empresa com o olho e controle sobre tudo o que acontece. Mas à medida em que o volume de operações cresce, fica a dúvida: crescer mais e perder o controle, ou ficar do mesmo tamanho e garantir a qualidade e atendimento? Do ponto de vista de liquidez, vi dezenas de empresários decidirem vender o próprio negócio e não conseguirem.

Ser “líquido” independe de querer vender, e é melhor ter a opção e não a exercer do que ser impossibilitado disso. Para ter liquidez, é preciso que a organização tenha governança corporativa. Esse é um termo que está na moda, as a verdade é que, grande ou pequena, poucas companhias entendem como fazer a governança funcionar para gerar valor para os acionistas.

Quando uma empresa é criada, o dono é quem assume a condução completa da companhia, desde a negociação com fornecedores e prospecção de clientes, passando por questões de recursos humanos, até pós-venda e logística. Porém, assim que a empresa cresce, torna-se fundamental a implantação de ferramentas, processos e boas práticas de gestão, de modo que a organização consiga andar com as próprias pernas e não limite o seu tamanho à capacidade individual do dono. Governança, neste caso, significa independência, e existem casos claros no mercado de “Independência ou Morte”.

O modelo centralizado em um único gestor coloca as companhias num caminho perigoso, que a longo prazo pode comprometer a saúde da organização. Conheci empresas com faturamento de R$ 70 milhões até R$ 80 milhões por ano, com um único gestor (dono) no comando. Nestes casos, quando a empresa ultrapassa a barreira dos R$ 100 milhões de receita, a experiência mostra que o risco do dono simplesmente perder o controle (seja de atendimento, de qualidade, de equipe ou financeiro) cresce de maneira exponencial.  

As boas práticas de governança criam os alicerces necessários para o crescimento sustentável e de qualidade. É difícil abrir mão de tomar todas as decisões e delegar responsabilidades a pessoas que não farão as coisas como você. Mas é necessário. Se você limitar o tamanho da sua empresa à sua capacidade individual, não tem um negócio, tem um emprego. Além disso, a dependência prejudica a liquidez, não há dúvidas sobre isso.

A governança que evolui sozinha traz muito dinheiro e melhora a liquidez da empresa. As companhias, afinal, são remuneradas de acordo com as metas que precisam cumprir. E quando você não delega essas metas, não tem como cobrá-las depois.

O modelo que fundos implementam privilegia a adoção de processos, comitês e conselho de administração que tenham autonomia. Assim, não importa se o dono tem a intenção de se manter à frente do negócio ou vender a empresa. A grande questão é que, se ele um dia ele resolver vendê-la, vai conseguir. O problema é quando ele decide vender e ninguém compra.

Toda empresa de médio ou grande porte deve refletir um pouco sobre esse assunto; crescer e ter liquidez é essencial para qualquer negócio. Mas o empresário tem que estar disposto a abrir mão de decisões e delegar. Sem, isso, governança corporativa é uma palavra longa, bonita e vaga. 

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