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ICTS: empresas precisam trabalhar o Compliance Individual

Mauricio Reggio, sócio-diretor da ICTS Protiviti Mauricio Reggio, sócio-diretor da ICTS Protiviti

Estudo mostra que corrupção, fraudes, desvios e má conduta são práticas que fazem parte da realidade das organizações

Considerar o risco humano é um dos fatores primordiais quando se busca a identificação de vulnerabilidades e a proteção dos negócios. Por isso, a necessidade de se adequar às normas do mercado e a adoção de ferramentas de compliance devem contemplar, também, o Compliance Individual, ou seja, o que identifica o nível de aderência dos funcionários à cultura ética da organização. Num momento em que ética, transparência e combate à corrupção são temas de destaque, para saber como anda o perfil ético do brasileiro no ambiente de trabalho a consultoria ICTS Protiviti realizou um estudo cujos resultados são, no mínimo, preocupantes.

Denominado “Perfil ético dos profissionais das corporações brasileiras Compliance Individual - Relatório Bienal 2012-2014”, o estudo avaliou o comportamento de quase nove mil funcionários de 121 empresas e descobriu que: 72% aceitariam algum tipo de irregularidade; 61% omitiriam erros na equipe; 61% considerariam colocar medidas ilícitas em prática, principalmente se houvesse pressão das chefias e o mercado fosse corrompido; e 52% aceitariam subornos.

Ou seja, corrupção, fraudes, desvios e má conduta são problemas graves que fazem parte da realidade empresarial brasileira. “Podemos afirmar que vivemos em um ambiente cada vez mais intenso de práticas que comprometem o compliance de uma empresa. Temos sido muito procurados e temos trabalhado com grandes corporações para rever processos, a forma como as pessoas tomam decisões, fazem controles e se organizam, para a empresa saber com quem está trabalhando, fora e dentro da organização”, diz Mauricio Reggio, sócio-diretor da ICTS Protiviti.

O motivo para este comportamento pode residir no fato de que, no país, não são poucos os exemplos de pessoas que se “deram bem” desrespeitando a lei, e isto acaba contaminando o ambiente de trabalho. “Quando a empresa contrata um funcionário, em regra ela olha as referências, o histórico profissional e as competências. É um processo cultural. Nós propomos olhar além, o que é muito importante para saber como essa pessoa se comportaria diante de dilemas éticos dentro do mundo corporativo”, observa Reggio.

Há mais de 10 anos trabalhando com gestão de riscos, a ICTS fortaleceu sua atuação na área de Compliance Individual, e possui mais de 50 mil processos individuais – entre entrevistas e questionários – de candidatos ou funcionários de empresas que foram submetidos a simulações de situações em que se veem diante de dilemas éticos e suas reações a respeito de: como lidam com erros; como se posicionam diante da relação benefício próprio x benefício da empresa ou aceitar propina de um fornecedor x trazer o melhor resultado para a organização; entre outras. O material tem ajudado a consultoria na elaboração de Códigos de Ética e Conduta junto aos clientes.

“É um processo sério, documentado, em que analisamos vários aspectos para chegar ao tipo de resposta que a pessoa daria em cada situação. Os resultados confirmam algumas conclusões da pesquisa de dois anos atrás, e chamam atenção para outras. Por exemplo: como os valores individuais, ou a falta deles, interferem no comportamento, o que em termos técnicos chamamos de flexibilidade. Como a flexibilidade, maior ou menor, tem interferido no comportamento profissional. Hoje, estamos trabalhando com as empresas para documentar esses dados, regulamentar e, a partir daí, criar um código de ética”, explica o executivo.

Jovens são mais tolerantes com irregularidades

O estudo da ICTS também mostra outro dado que merece destaque. Entre os jovens, a situação é ainda mais grave: 82% dos trabalhadores com até 24 anos tendem a ser mais tolerantes com as irregularidades. Imediatismo, ambição e empreendedorismo são fatores que explicam esse comportamento.

“O que percebemos é que a camada de jovens que vem chegando ao mercado, comparando-se com dois anos atrás, apresenta maior falta de parâmetros e está mais aberta às influências do mundo externo, seja pelo imediatismo ou oportunismo que busca ao quebrar as regras. Entre o ‘princípio’ e o ‘eu me dar bem’, em geral ela escolhe o segundo. Quando se olha o grupo dos jovens, percebe-se esta maior flexibilidade quanto ao que é certo, o que é errado, o quanto eu posso ousar. Eu não sei dizer se estamos no ápice, mas, ao comparar com alguns anos atrás, vemos um cenário pior”, ressalta Reggio.

Para o especialista, ética é algo que se ensina, e as organizações têm a obrigação de educar as pessoas, especialmente os jovens, e não só aumentar a competência técnica e a eficiência ou tornar os seus processos melhores: “É muito importante estabelecer um código de ética que expresse não só a cultura de um presidente, mas a da empresa como um todo”. Este código, preconiza ele, precisa levar em consideração opiniões, o dia a dia da organização e incentivar a criação de comitês ou áreas que possam equacionar problemas específicos, visto que não se solucionam todos os percalços com regras.

“Quando houver um problema, a empresa precisa atuar; quando houver uma denúncia, precisa apurar e punir. Também é importante ter processos claros para aumentar a eficiência e saber o que são denúncias com credibilidade e o que não são. Existem técnicas para isso. Esse é um ciclo educativo de compliance que as organizações precisam trabalhar, porque é dentro delas que as pessoas aprendem a cidadania, é onde passam, muitas vezes, mais tempo do que em suas próprias casas”, conclui o sócio-diretor da ICTS Protiviti.

 

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