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PNAD: primeira alta do emprego mês/mês em 20 meses

PNAD: primeira alta do emprego mês/mês em 20 meses

Taxa de desocupação recua mais do que o esperado no trimestre junho-agosto e fica em 12,6%

A taxa de desemprego do Brasil recuou mais do que o esperado no trimestre junho-agosto e igualou a melhor marca de 2017 ao ficar em 12,6%, revelou hoje o IBGE. O número veio abaixo das estimativas do mercado (12,7%, sendo que o Bradesco previa 12,8%). Embora o resultado ainda tenha sido impulsionado sobretudo pelo aumento do emprego informal, foi a primeira vez, desde janeiro de 2015 (em 20 meses, portanto), que o nível de emprego (dessazonalizado) teve alta na comparação mês/mês do ano anterior, como observou a LCA Consultores. No trimestre anterior (maio-julho), a taxa havia sido de 12,8%.

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, os números do trimestre junho-agosto foram os melhores do ano: no último trimestre, o total da força de trabalho aumentou 0,7% (+712 mil pessoas), atingindo 104,2 milhões. A população fora do mercado de trabalho ficou estável em 64,4 milhões. A população ocupada cresceu 1,4 milhão de pessoas (+1,5%) e o contingente de desocupados encolheu em 4,8% (-658 mil pessoas), baixando para 13,1 milhões, contra 13,326 milhões nos três meses até julho. O pico do desemprego ocorreu no período março-maio, quando 13,771 milhões estavam desempregados.

Para o coordenador de emprego e salário do IBGE. Cimar Azeredo, não há dúvida de que o emprego vai crescer este ano, mas sua qualidade ainda é incipiente, própria de uma economia que passou pela mais profunda recessão de sua história, com a destruição de 3,4 milhões de empregos com carteira assinada no setor privado entre 2014 e o 1º semestre de 2017. A recuperação está se dando mais no lado dos empregos informais do que no de pessoas com carteira assinada (com contribuição de patrão e empregado para a Previdência e direitos sociais garantidos).

Na comparação com o trimestre junho-agosto de 2016, por exemplo, houve um aumento de 5,4% no emprego no setor privado sem carteira assinada, enquanto que os empregos com carteira tiveram queda de 2,2%. “Quase 70% dos empregos gerados agora são na informalidade. Aconteceu isso em todas as crises”, completou Azeredo.

Veja-se o quadro entre agosto de 2016 e o deste ano: de 34,176 milhões de trabalhadores com carteira assinada, o contingente encolheu para 33,412 milhões (-765 mil); os trabalhadores do setor privado sem carteira assinada aumentaram de 10,204 milhões para 10,751 milhões (+552 mil); os trabalhadores domésticos mantiveram-se estáveis (6,1 milhões, com perda de 11 mil empregos). Com o fechamento das vagas nas empresas, os trabalhadores tiveram que se virar por conta própria, cujo contingente aumentou de 22,2 milhões para 22,8 milhões (+612 mil pessoas), o mesmo ocorrendo entre os empreendedores/empregadores: salto de 3,9 milhões para 4,2 milhões (+267 mil pessoas).

Ou seja, se as empresas fecharam 765 mil vagas, os trabalhadores por conta própria ou montando pequenas firmas criaram 879 mil novas ocupações. Já o setor público encolheu o contingente em 99 mil postos, ficando em 11,4 milhões.

Baixa da inflação

A combinação de mais emprego sob precariedade só não foi mais danosa porque a inflação vem baixando fortemente, influenciada pela queda dos preços da alimentação, que dá folga aos orçamentos domésticos e já se reflete na recuperação das vendas do comércio. Assim, o rendimento médio real do trabalhador atingiu R$ 2.105 no trimestre até agosto, contra R$ 2.111 nos três meses até julho, e R$ 2.066 no mesmo período do ano anterior (+1,9%).

A decomposição dos aumentos salariais mostra que os trabalhadores que continuam com carteira assinada tiveram ganho real (descontada a inflação) de 3% no rendimento médio. Já os trabalhadores sem carteira assinada tiveram perda de 2,2%. Os trabalhadores do setor público, amparados pela estabilidade do emprego (na imensa maioria dos casos) tiveram aumento real zero. Os trabalhadores por conta própria tiveram perda real de 2,4% nos rendimentos. Já aquele que decidiu ser empreendedor teve o maior ganho: 8% em termos reais. Ou seja, quem sabe a crise aponte uma solução para muitos trabalhadores que sempre sonharam com um negócio próprio...

O Brasil vem engatando um processo de recuperação econômica em meio a juros declinantes, mas ainda escorchantes, e inflação em níveis baixos, que ajudam no comércio. Em agosto, o país teve criação líquida de 35.457 vagas formais de emprego, segundo o Ministério do Trabalho, no quinto resultado consecutivo positivo, situação puxada pelo setor de serviços. Nos últimos 12 meses, a massa salarial (rendimento x número de pessoas trabalhando) registrou aumento real (descontada a inflação) de 2,7%. O que pode ser um empuxo para a retomada da economia.

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