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A bola em janeiro estará com o TRF-4

Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil

Caso o Tribunal confirme a sentença de Moro, e mesmo que Lula consiga a liberdade, estará enquadrado como ficha-suja, o que lhe bloqueará a participação na disputa presidencial

A eleição presidencial de 2018 começa a tomar forma no próximo dia 24 de janeiro, quando o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, anuncia sua decisão sobre o recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra a condenação que lhe foi imposta pelo juiz Sérgio Moro, da primeira instância. Caso seja condenado, Lula deverá ser preso, ainda que um provável habeas-corpus lhe garanta a liberdade. 

Caso o TRF-4 confirme a sentença de Moro, e mesmo que o petista consiga a liberdade, estará enquadrado como ficha-suja, o que lhe bloqueará a participação na disputa presidencial. Teremos em seguida uma batalha judicial, com embargos de todo tipo, recurso ao TSE e, finalmente, ao STF.  Os petistas irão alegar que “é golpe” impedir a participação no pleito do candidato favorito nas pesquisas. 

Como se pesquisas de opinião tivessem valor legal para eleger alguém!  O provável afastamento de Lula terá reflexos em Jair Bolsonaro, seu contraponto, e o centro democrático dependerá apenas de sua competência política para vencer. Uma eventual prisão de Lula, mesmo que por curto período, terá um efeito nos eleitores ainda impreciso. 

Claro que os antipetistas irão comemorar, soltar foguetes e abrir vinhos. Os seguidores da seita, por sua vez, tentarão transformar a prisão em um ato arbitrário, uma “continuação do golpe”, e Lula será ungido como um mártir, um “justiceiro social” punido “pelas forças da reação”, a vítima das elites e destes tempos sombrios.

Ausência dos empresários no debate

O que chama a atenção neste momento brasileiro é a ausência dos empresários no debate, as chamadas “forças do mercado”. Omitem-se, porque sabem que uma eventual vitória de Lula não lhes garantirá um inimigo no Planalto. Ao contrário, Lula sempre proporcionou a todos excelentes negócios e muito boa vontade com verbas públicas subsidiadas. 

Com Lula, “tem jogo”, como se diz no submundo empresarial. Mas as reais necessidades do país para enfrentar a crise fiscal ficarão mais uma vez relegadas, até que a coisa chegue a um nível insustentável e seja preciso aumentar impostos e cortar salários de servidores e aposentados. 

A antecipação da decisão do TRF-4 é uma demonstração de bom senso do Judiciário, porque deixar a decisão para mais perto das eleições poderia tumultuar todo o processo. Agora é esperar pelo final de março e começo de abril, quando as candidaturas terão que ser definidas e o país saberá como o jogo será jogado. 

Os futuros candidatos terão que ser honestos em relação aos seus planos de governo e dizer claramente como pretendem enfrentar a crise fiscal.  O Brasil não aceita mais estelionato eleitoral e vigarice.

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