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No Brasil empresas não descartam IPO, apesar do cenário político

Diego Barreto é membro do Conselho de Administração do Ibri Diego Barreto é membro do Conselho de Administração do Ibri

Pesquisa da Deloitte em conjunto com o Ibri revelou que as companhias de capital aberto identificaram aumento no valor da empresa, após o IPO

No Brasil, as empresas não se mostram refratárias à iniciativa de ingressar no mercado de capitais apesar da atual conjuntura política e macroeconômica. Trinta e dois por cento das organizações de capital fechado declararam a intenção de fazer um IPO (oferta pública inicial de ações, em português) futuramente.

O dado é da pesquisa desenvolvida pela Deloitte em conjunto com o Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (Ibri), divulgada recentemente. Para Diego Barreto, membro do Conselho de Administração do instituto, “o número é muito forte” e está associado a dois fatores. “Observa-se o amadurecimento das famílias controladoras das empresas que começam a enxergar o mercado de capitais para captar recursos. Outro ponto é o investimento estrangeiro direto (IED) que continua em franca expansão.”

O Brasil continua sendo um dos principais pontos de atração de investimento estrangeiro no mundo, segundo o conselheiro do Ibri. Em 2016 foram injetados mais de US$ 55 bilhões e as perspectivas são que o volume seja maior neste ano.

A pesquisa também revelou que as empresas de capital aberto identificaram aumento no valor da empresa, após o IPO. “A grande maioria percebeu que a valoração da companhia aumentou ou se manteve após o processo”, ressaltou o membro do Ibri. “Observamos que o mercado amadurece ao reconhecer ganho de valor para as empresas de capital aberto”, completou Fernando Augusto, sócio líder da área de Capital Markets da Deloitte. “Para atrair investidores, é importante ter um business case sólido”, ressaltou o sócio da Deloitte.

Perto da metade (47%) das empresas de capital aberto, que participaram da pesquisa, consideraram o IPO como a melhor maneira de captar recursos e 46% declararam que os stakeholders perceberam que o valor da empresa aumentou após três meses da abertura. Quarenta e sete por cento não souberam responder.

Em sua 10ª edição, o levantamento aborda as estratégias das empresas para captar recursos, considerando o cenário econômico desafiador dos últimos anos. Neste ano, o universo inclui a participação de 97 empresas (79% de capital fechado e 21% de capital aberto) e foi realizado entre abril e maio deste ano.

Terreno a ser desbravado

Embora reconhecido como um dos mais atrativos ambientes para a captação de recursos, grande parte das empresas de capital fechado (82%) não conhece ou conhece pouco os procedimentos para promover a oferta inicial de ações. Entre as pesquisadas, 66% sequer conhecem ou pouco sabem sobre custos, 40% não têm conhecimento ou pouco sabem sobre os benefícios além da captação financeira.

O interesse dessas organizações aumentaria com a disseminação de informações sobre o processo, incluindo custos e benefícios relacionados às operações de IPO. Isso porque do universo pesquisados 68% não têm interesse em abrir capital.

“As empresas de capital fechado têm como dever de casa buscar a boa comunicação com o mercado. A captação de recursos no mercado é uma forma interessante de alavancar o negócio, considerando a escassez de crédito”, afirmou o sócio da Deloitte.

Se a empresa já ingressou na Bolsa, o objetivo é reforçar o seu posicionamento na captação de recursos no mercado de capitais. O atual momento ainda inspira a atenção dos interessados em promovê-lo em curto prazo. Seis por cento das organizações planeja a abertura de capital nos próximos dois anos. “O foco dos RIs está no acionista nacional mais sensível ao dia a dia econômico”, completou Fernando Augusto, da Deloitte.

Avançar nessa jornada é um desafio. Pouco mais da metade (54%) aponta que a liquidez de suas ações está abaixo do esperado. Outro dado: metade considera os gastos de manutenção com IPO maiores do que o estimado e o mesmo percentual alega não conhecer os custos para fechar o capital. “Isso significa que a maioria não estava totalmente preparada e não tinha visão de longo prazo do procedimento”, analisou Augusto.

Segundo o estudo, a adesão às novas regras contábeis, de gestão e de governança é essencial para a sustentabilidade das companhias. Nesse aspecto entra o desafio do profissional de RI: trabalhar a lacuna entre os valores atribuídos pela administração e pelos analistas e investidores. Sessenta e oito por cento dos profissionais afirmam que a divergência existe, em maior ou menor grau.

Fôlego de captação

No processo de abertura de capital, a companhia terá de passar por um longo caminho de estruturação e transparência dos controles internos e das informações financeiras. A criação de conselhos e comitês – bem como a estruturação das áreas de RI e de controles internos – é obrigatória.

Algumas dessas estruturas já foram desenvolvidas com o objetivo de lidar com riscos eminentes em seus mercados de atuação: 84% dispõem de sistemas de controles internos e 68% contam com estrutura de auditoria interna. No entanto, somente 22% possuem conselhos fiscais e 18% contam com um

profissional dedicado à função de relações com investidores. Dessa parcela, 73% são empresas que faturam acima de R$ 300 milhões.

Quase um terço (31%) das empresas de capital fechado registra faturamento anual maior do que R$ 500 milhões. A grande maioria (81%) tem demonstrações financeiras revisadas por auditoria externa independente. Perto de 70% fazem demonstrações financeiras trimestrais, requisito obrigatório para que uma companhia seja listada na Bolsa.

Embora não estejam refratárias ao tema, quase 80% das companhias afirmaram que o atual cenário é o fator que mais preocupa em relação ao IPO e 66% indicaram que o alto investimento necessário é um entrave à tomada de decisão.

 

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