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Mobilidade abre espaço para a convergência de indústrias

Sérgio Biagini, sócio-líder da indústria de serviços financeiros da Deloitte Sérgio Biagini, sócio-líder da indústria de serviços financeiros da Deloitte

Os bancos devem aproveitar o avanço da mobilidade para evoluir o seu modelo de negócios

Uma pesquisa divulgada em maio pela Deloitte e a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) revelou dados importantes a respeito do mobile banking. Um deles é que os aplicativos dos bancos tornaram-se o canal preferido dos usuários para realização de transações bancárias. E com números expressivos de crescimento, a mobilidade desponta como uma peça fundamental na transformação digital em curso no setor bancário, processo que caminha a passos rápidos para o que os especialistas chamam de convergência das indústrias.

Para se ter ideia da relevância do mobile banking para as instituições financeiras, o número de transações bancárias feitas no celular cresceu 24% no ano passado. Já a quantidade de transações com movimentações financeiras por celular chegou a quase 80% em 2018. Segundo a pesquisa divulgada pela Deloitte e pela Febraban, atualmente, de cada dez transações, com ou sem movimentação financeira, seis são feitas por meios digitais, o que inclui celular e computador.

Por ser considerada peça importante no processo de transformação digital, sinalizando para a chamada convergência das indústrias, a mobilidade surge como uma grande oportunidade a ser explorada pelos bancos, avalia Sérgio Biagini, sócio-líder da indústria de serviços financeiros da Deloitte. “A mobilidade é uma vertical que tem vários elos na sua cadeia, uma delas é a de serviços financeiros”, afirma. A avaliação é de que os bancos podem aproveitar o avanço da mobilidade para evoluir o seu modelo de negócio. “No futuro, grande parte da mobilidade vai ser consumida como serviço. Vejo isso como uma grande oportunidade”, reforça.

Em um cenário de convergência de indústrias, descreve Biangini, as pessoas consomem diversos tipos de serviços, como telefone, serviços bancários, serviços de varejo, serviços automotivos, entre outros, providos por um player que pode ser um banco, uma montadora de veículos ou mesmo uma companhia de telefonia. Considerando essa tendência, o executivo não tem dúvidas de que as instituições financeiras serão fortemente impactadas pelos players que estão atentos ao potencial negócio da mobilidade.

Daí a necessidade de as instituições financeiras se prepararem para o incremento da concorrência de outros players, que tende a ficar ainda mais acirrada com os avanços tecnológicos. Aliás, como já aconteceu quando o mercado foi invadido pelas fintechs, cujas operações foram regulamentadas no ano passado, pelo Conselho Monetário Nacional. Se antes, as fintechs se enquadravam como correspondente bancário e dependiam de parceria com os bancos para mediar operações financeiras, com a regulamentação, o cenário mudou: agora elas podem conceder crédito com seus próprios recursos e manter contas de pagamento para os clientes. Com isso, aumentou fortemente a concorrência.

O surgimento de novos players no mercado é visto com bons olhos por Biagini, que enxerga na concorrência dos novos entrantes um estímulo para que os bancos tradicionais invistam cada vez mais na melhoria dos serviços que oferecem aos seus clientes. O passo adiante no processo de evolução do setor bancário, que promete tornar ainda mais forte a disputa entre os players do setor e beneficiar os clientes, é o Open Banking, que o executivo considera como um movimento de abertura do mercado bancário.

No Open Banking, diz Biagini, os bancos poderão incluir em suas plataformas digitais uma multiplicidade de produtos e serviços, inclusive os que não fazem parte do seu portfólio de ofertas, mas que foram desenvolvidos por parceiros especializados em determinados nichos. Será uma forma de fidelizar o cliente, evitando que ele busque no concorrente soluções que atendam as suas necessidades. “Os bancos terão que abrir o seu portfólio para incluir produtos e serviços de outros players”, sentencia o executivo, acrescentando que experiências desse tipo já começaram a ser proporcionadas na área de investimentos e estão se expandindo para outras categorias de produtos como uma plataforma financeira.

A infraestrutura tecnológica desempenha papel relevante na jornada do Open Banking. O setor bancário, que historicamente investe pesado em modernização tecnológica, mergulha agora em um novo ciclo de transformação: de uma arquitetura monolítica para uma arquitetura multisserviços e orientada a conexão com API.

O acesso via API é que vai permitir aos clientes disporem de uma variedade de produtos – inclusive os desenvolvidos por parceiros – na plataforma digital dos bancos, explica Biagini. “Os bancos terão a alternativa de buscar no mercado soluções que não são proprietárias para compor o seu portfólio de ofertas”, explica. A transformação do ambiente tecnológico para suportar esse tipo de demanda, vai exigir, em muitos casos, que os sistemas sejam reescritos. A tarefa é por demais complexas. “Não é um investimento que se faz de um dia para o outro”, observa.

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