×

Aviso

JUser: :_load: Não foi possível carregar usuário com ID: 573
Menu

Accenture ergue pontes entre as startups e as grandes empresas

Guilherme Horn, diretor executivo de Serviços Financeiros Digitais e líder da área de Inovação da Accenture Digital Guilherme Horn, diretor executivo de Serviços Financeiros Digitais e líder da área de Inovação da Accenture Digital

Consultoria desenha programas globais de apoio à inovação aberta, buscando orientar e potencializar a disrupção em benefício dos clientes

Confrontada com a digitalização crescente do mundo empresarial e da sociedade, a Accenture estabeleceu, há dois anos, que a área de inovação aberta teria papel vital em sua estratégia. Mais do que simplesmente apoiar os movimentos disruptivos, a múlti partiu para orientar os esforços gerais de desenvolvimento e colocação em produção dos projetos, construindo pontes entre as startups e as corporações usuárias.

O entendimento era claro: a onda digital estava subvertendo o status quo até então vigente, requerendo um posicionamento inteiramente distinto do mercado. Eis que a inovação estava deixando de lado os tradicionais laboratórios de P&D, passando a repousar sobre a inventividade de jovens entrantes. “Se as grandes empresas não reagirem a esta transformação, ficarão para trás”, adverte, de cara, Guilherme Horn, diretor executivo de Serviços Financeiros Digitais e líder da área de Inovação da Accenture Digital.

As startups, analisa ele, são normalmente muito ágeis, não temem mudanças radicais e, por isso mesmo, inovam bem mais rapidamente. Em contraste, as corporações já estabelecidas são no geral avessas à disrupção e tendem a conceber a inovação como um processo de melhorias multiincrementais.

Horn alude, por sinal, ao enorme peso do chamado “mindset”, da cultura organizacional, no reforço do conservadorismo: “Para inovar, é preciso falhar de forma frequente. Em uma startup, o erro é absolutamente normal, sendo parte do processo. Ao contrário do que se verifica com uma grande companhia, onde a falha é vista como estando na ponta do processo, muitas vezes acarretando o fim da carreira de um funcionário, que é demitido principalmente se ele fracassar no core business”.

Como então desembarcar a inovação em uma organização convencional, na qual a falha não é admissível, interditando assim o espaço para a reinvenção? Este era o tamanho do desafio a ser enfrentado pela Accenture em seu propósito de introduzir uma “disrupção guiada”: tratava-se de mudar a mentalidade corrente, erguer pontes com os empreendedores e injetar sangue novo nos negócios dos clientes.

Apoio global ao empreendedorismo

Para ancorar a recém-traçada diretiva, a consultoria valeu-se do fato de ser uma múlti com quase 400 mil funcionários, presente em 120 países. Criou, ato contínuo, uma estrutura internacional de suporte ao empreendedorismo, a Accenture Global Open Innovation Network, mobilizando suas subsidiárias em várias nações (EUA, Inglaterra, Alemanha, França, Brasil, Israel, Índia e China), todas conectadas ao Vale do Silício, onde se localiza o hub central.

“Todas as nossas filiais atuam de maneira pró-ativa no ecossistema criado”, observa o diretor executivo. Foram também celebradas parcerias com empresas de venture capital e outros hubs, tais como RocketSpace, Khosla ventures, Innoventures e Spain Tech Center (STC). Desse modo, tornou-se viável cumprir as tarefas de descobrir potenciais parceiros e tecnologias, desenvolver casos de uso e prototipagem rápida, para depois implementar a solução em escala.

Neste vasto universo da inovação aberta, a área de fintech, particularmente na Europa e nos EUA, já se encontrava bastante madura, com significativa massa crítica de startups e soluções desenhadas. No entanto, a avaliação era de que ainda havia muito espaço para crescimento, o que valeria sobretudo para um país como o Brasil. Era questão de arregaçar as mangas e prospectar as oportunidades emergentes.

Para se ter uma ideia do terreno a explorar, as fintechs compõem um mercado que aumenta de ano para ano. Acreditava-se inicialmente que o investimento global no setor girasse somas entre US$ 15 bilhões e US$ 19 bilhões, mas na verdade contabilizaram-se US$ 22,265 bilhões em 2015, contra US$ 12,688 bilhões em 2014 e apenas US$ 4,590 bilhões em 2013 (cifras contidas em estudo da Accenture assentado nos dados da CB Insights). Houve forte expansão na Ásia e na Europa, com o resto do mundo também avançando proporcionalmente.

Guilherme Horn, a propósito, recorda que a Accenture, em 2009, cunhou o termo “fintech” a partir de uma história curiosa. O então prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, chamou a consultoria para criar uma estratégia destinada a evitar que as startups locais se mudassem para o Vale do Silício, uma tendência muito comum na época, a despeito de os grandes bancos dos EUA estarem sediados na cidade, e não na Califórnia.

Aceleração das fintechs

Foi aí que a Accenture constituiu o Fintech Innovation Lab, programa de aceleração que contou com a participação de mais 30 instituições financeiras (Santander, Citi, HSBC, UBS, Deutsche Bank, Barclays, Credit Suisse, entre outras), incluindo os 10 maiores bancos globais, e mais de 600 startups, universo que giraria um funding superior a US$ 200 milhões.

A empreitada foi ativada em 2010, com expressivo êxito, o que fez dela uma referência mundial, replicada em outras três cidades: Londres, Dublin e Hong Kong. E agora chegou a vez do Brasil. “Estamos trazendo esta iniciativa para cá a partir do segundo semestre, expandindo-a também para as áreas de retail e de consumer goods, isto é, o varejo em geral”, revela o diretor.

Cases concretos começaram a despontar sob o guarda-chuva do Fintech Innovation Lab, como o da entrante FinSuite, a qual desenhou uma solução que automatiza atividades de back-office para crédito. Passados seis meses de aceleração, ela acabou por assinar um contrato mundial com o HSBC. Quer dizer, da noite para o dia, uma startup de 14 pessoas precisou ampliar sua atuação para 23 países, numa empreitada que viria a contar com total suporte da Accenture.

Em termos práticos, a empresa desenvolveu uma metodologia para nortear seu relacionamento com os empreendedores. “Em nível global, incluindo o Brasil, fazemos um mapeamento de todas que estão operando em cada mercado, em um sistema de radar e de parcerias. Colocamos à disposição de todos os clientes um screening, voltado para todos os segmentos”, descreve Horn.

Oportunidades de negócios

Esse screening, pormenoriza o executivo, inicia-se com uma watch list, em que se conhece o que a startup faz, a área de atuação, a capacidade de inovação e a tecnologia utilizada. Ao longo do tempo, o acompanhamento vai se intensificando, passando pela adesão a iniciativas do ecossistema, a validação por experts da Accenture e o patrocínio, detectando oportunidades de parceria. Até que se chegue, enfim, ao nível de engajamento, em que começam efetivamente os negócios entre as entrantes e as grandes empresas, com a consultoria fazendo a intermediação.

Para ilustrar o teor inovativo do que vem sendo realizado, o diretor aponta o case do Moven, considerado o maior banco digital no mundo, criado por Brett King, autor de cinco livros na área de fintech. A plataforma hoje é licenciada pela Accenture, que a comercializa globalmente, tirando proveito de suas competências e expertise na indústria financeira, além da alentada carteira de clientes em vários países.

Entre as features do Moven, Horn destaca a arquitetura aberta que simplifica a integração; o sólido roadmap de evolução do produto e o time-to-market ágil. “Ele sim é um banco digital. No Brasil, quando se aborda o tema, está se falando apenas da digitalização de canais. Mas isso é completamente distinto do que ocorre no caso do Moven, que entrega bem-estar emocional ao cliente”.

Para melhor situar sua visão de negócios, o diretor executivo cita uma frase de Brett King, segundo a qual, para construir um banco diferente, é preciso entender o que vai desaparecer daqui a 10 anos. Um dos elementos fadados à extinção é justamente o papel, a assinatura. “Se observarmos atualmente as 20 mil fintechs que existem no globo, quantas utilizam papel nos seus processos? Praticamente nenhuma”, nota Horn.

Por fim, ele menciona também John Stumpf, CEO do Wells Fargo, que foi taxativo ao afirmar que nós seremos a última geração a usar os termos “cartão de crédito" e "cartão de débito”. “Isto está acabando. O banco vai ser um download que fazemos no smartphone e não mais os produtos que vemos hoje em dia”, conclui o especialista da Accenture.

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.

voltar ao topo

Finanças

TI

Canais

Executivos Financeiros

EF nas Redes