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Inovação requer combinação de técnicas com formação de pessoas

  • Escrito por Reginaldo Arakaki

A inovação é, sem dúvida alguma, um instrumento de competitividade das empresas, um diferencial importante que pode garantir sua sobrevivência em um cenário da economia globalizada.

Novas ideias que surgem com frequência dentro das empresas são fonte de inovação, desde que devidamente trabalhadas para se transformar em negócio, ou em valor agregado reconhecido pelo mercado.

Para chegar a esse ponto, contudo, é preciso seguir um processo de criação, com a realização de vários testes e experimentos que antecedem o eventual desenvolvimento do novo produto ou negócio. E, antes de mais nada, é fundamental implantar na empresa uma cultura voltada para a inovação, envolvendo colaboradores, gerentes e a própria direção.

A postura das equipes em relação à inovação pode determinar o diferencial competitivo de uma empresa no mercado. Essa postura inclui a disposição de rever e criar novos modelos de negócios, novos processos e serviços, ou ainda de diminuir custos e aumentar a produtividade. Promover o crescimento com saltos incrementais e disruptivos. Porém, a base para esse movimento depende da formação gerencial e operacional das equipes com foco na inovação. É o processo e cultura da inovação na empresa.

Uma diferença fundamental nessa nova cultura é a experimentação - e o exercício de jogar fora uma idéia o quanto antes, se experimentos indicarem que ela deve ser descartada. Afinal, tudo que é novo precisa ser testado, de modo a permitir uma melhor avaliação do seu potencial de sucesso - ou de fracasso. Essa avaliação é feita a partir de pequenos experimentos em campo, que podem evitar gastos desnecessários de tempo e dinheiro com ideias com poucas perspectivas de sucesso.

Discutir os níveis de maturidade desses processos deve incluir o alinhamento entre os esforços de inovação e as diretrizes da empresa em relação à formação de seus profissionais. É importante equilibrar a adoção de técnicas de inovação com ações de formação de pessoas. Técnicas como Seis Chapéus do Pensamento, Design Thinking, User-centered Design (UCD), storyboard e laboratórios-oficinas do tipo Fablab constituem a maleta de ferramentas para inovar. Mas e a formação das pessoas que vão conduzir o processo de inovação na empresa?

Antes de mais nada, a equipe precisa ser preparada para pensar a inovação tendo em vista a evolução, a sustentabilidade e a melhoria de resultados. Um dos recursos que deve ser considerado é o da formação antecipada de pessoas, por meio de convênios com universidades e centros de pesquisas.

É a ampliação do conceito conhecido como Open Innovation (inovação aberta), que prevê a criação de um ecossistema de empresas - muitas delas nascentes (startups) - com capacidade de compartilhar conhecimento e reaproveitar ideias descartadas ao longo do processo de inovação. O desenvolvimento de projetos de inovação com instituições de pesquisa e universidades coloca as equipes da empresa e os pesquisadores em um trabalho conjunto, colaborativo, que permite pensar diferente.

Essa colaboração entre equipe interna da empresa, pesquisadores e alunos de universidades (de graduação e pós-graduação) facilita a formação de pessoas, a assimilação de startups, o ingresso de formandos e, com isso, a implantação da cultura da inovação. É o "pensar fora da caixa" que, além de oxigenar as equipes da empresa, facilita a experimentação e, mais do que isso, contribui para a criação de um ambiente propício à geração de ideias inovadoras.

Reginaldo Arakaki é gestor da área de Consultoria e Inovação da Scopus Tecnologia e professor do Departamento de Engenharia da Computação e Sistemas Digitais da Escola Politécnica da USP.

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