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Agências de viagens ingressam na era digital

Edmar Bull, presidente da Abav Nacional Edmar Bull, presidente da Abav Nacional Foto: Emerson Souza

Setor hoje incorpora tecnologias de ponta, que aprimoram a gestão e suportam a operação online, com melhor qualidade dos serviços prestados

Ao colocar os óculos de realidade virtual, o passageiro inicia sua “viagem de férias” e, instantaneamente, transporta-se para o destino planejado. A imagem é usada para instigar os agentes de viagem a pensar na quebra de paradigmas que a era digital já faz e continuará a fazer no setor. Assim como os bancos mergulham cada vez mais nesse universo, as agências também já deram a largada para melhorar a experiência dos clientes quando o assunto é viagem.

Qual será o papel da agência no processo? É uma das bandeiras que a Associação Brasileira das Agências de Viagens (Abav) levanta para difundir a importância da inovação. Num mercado em ebulição, um dos grandes movimentos remete ao avanço do NDC (New Distribution Capability), iniciativa da IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo, na tradução para o português) que estabelece um novo padrão para a distribuição dos serviços desta indústria, baseado na linguagem XML.

O conceito de dados NDC está no centro da era digital que afeta toda a cadeia do segmento. O projeto deverá facilitar o dia a dia do agente de viagens, permitindo o acesso aos serviços adicionais inicialmente das companhias aéreas e de outras empresas do setor no futuro. “O agente poderá trabalhar com uma base unificada de dados e poderá ampliar a gama de serviços oferecidos e, com isso, os seus negócios”, diz Edmar Bull, presidente da Abav Nacional, em entrevista para o portal de Executivos Financeiros. O desafio de inovar apresenta um dos maiores dilemas que a agência de viagem já enfrenta: ir além da venda de produtos e partir para a oferta de serviços de valor agregado.

O Brasil foi o pioneiro na emissão do primeiro bilhete aéreo no padrão NDC, à frente de países como Estados Unidos e Canadá. “Isso comprova que estamos na vanguarda tecnológica”, afirma Bull. No mesmo local, o agente pode pesquisar os diferentes valores das passagens, assentos especiais que são oferecidos etc, sem ter de navegar por diferentes sites que oferecem a informação pulverizada na web. A expectativa da IATA é que o NDC venha a reunir ainda os dados de outros segmentos da indústria como, por exemplo, hotéis, locadoras de veículos, entre outros, prosseguindo em sua contínua evolução.

O legado de sistemas que atende a aviação é uma verdadeira “sopa de letrinhas”, como os GDS (Global Distribution Systems), como Amadeus, Sabre, em meio a outros. Segundo Antonio Carbone, gerente regional da IATA para as Américas, durante painel na 44ª edição da Abav, o objetivo da instituição é simplificar o processo do desenvolvimento dos sistemas, ou seja, os hubs de distribuição mundial, para baratear custos e promover a comunicação entre sistemas distintos. O próximo passo é o NDC One Order, que deverá facilitar a vida dos passageiros.

Reservas online

Durante a Abav Expo 2016, foi anunciada uma parceria histórica para facilitar o ingresso das agências no universo digital. O acordo entre a Abav e a Travelport – que oferece tecnologia, pagamento e outras soluções para a indústria de viagens global – garante o acesso à plataforma online MyPNR, que possibilita reservas em mais de 650 mil hotéis, além de 400 linhas aéreas e 50 serviços opcionais das companhias, como por exemplo assento preferencial, check-in prioritário, entre outros.

“A iniciativa permite que a agência se transforme em uma OTA (Agência de Viagens Online, na tradução para o português)”, afirma Bull, da Abav Nacional. Sem nenhum custo, a ferramenta de reservas online garante a remuneração dos profissionais de viagem pelos serviços emitidos. Entre outros benefícios, o sistema é amigável e oferece ainda um módulo de back-office, que contempla as áreas administrativa, contas a pagar e receber, reembolso etc. Outra parte permite reservas de seguros de viagem.  

“Para nós, é importante trazer benefícios, soluções simples e inovadoras para os agentes de viagem, além de facilitar a entrega das operadoras”, assinala Luís Carlos Vargas, gerente geral da Travelport Brasil. “Por isso, estamos muito felizes com esta parceria com a Abav, cuja importância dentro da indústria é inegável”, completa ele.

Tecnologia, capacitação e treinamento formam o tripé que a Abav defende para a entrada das agências na era digital. “Há uma grande transformação em curso e diferenciais como segmentação são fundamentais para o negócio. A tecnologia é uma aliada”, acrescenta Bull.

Abav Big Data

Em uma outra frente de modernização, conhecer o universo das agências e montar uma base de dados confiável são os objetivos do Censo Abav Big Data, que deverá mapear o segmento. Uma grande campanha foi realizada para que as 27 regionais não deixassem de atualizar o cadastro. O Recadastrav mostra que são perto de três mil agências associadas. O projeto prevê uma coleta mensal de dados, contemplando diferentes recortes de análise, segmentos e nichos de mercado.

O próximo passo envolveu o lançamento do Censo Abav, que deverá divulgar número de agências, segmento, faturamento, total de funcionários, entre outros dados. “É fundamental que possamos ter um grande banco de dados com o perfil das agências para contribuir com sugestões para políticas que ajudem a impulsionar o turismo brasileiro cada vez mais”, finaliza o presidente da Abav Nacional.

 

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